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Técnicos de enfermagem do hospital Anchieta são presos suspeitos de matar 3 pacientes

Além desse medicamento, o técnico de enfermagem apontado como principal suspeito usou uma seringa para fazer dez aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos.

Técnicos de enfermagem do hospital Anchieta são presos suspeitos de matar 3 pacientes

De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

Três técnicos de enfermagem que trabalhavam no hospital Anchieta em Taguatinga, no Distrito Federal, foram presos por suspeita de terem assassinado três pacientes entre novembro e dezembro de 2025.

Segundo as investigações, eles cometeram os crimes injetando doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usando o produto como um veneno.

Além desse medicamento, o técnico de enfermagem apontado como principal suspeito usou uma seringa para fazer dez aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos.

Segundo a Polícia Civil, as dez aplicações foram feitas no mesmo dia, após a paciente ter várias paradas cardíacas.

Em outra ocasião, o mesmo técnico, de 24 anos, usou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento.

Ele buscou o insumo na farmácia e aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica.

Duas aplicações foram feitas no dia 17 de novembro do ano passado e, a terceira, no dia 1° de dezembro. Segundo a Polícia Civil, para disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los.

A investigação corre sob sigilo e, por isso, os nomes dos investigados não serão divulgados. O g1 tenta localizar o contato da defesa dos investigados.

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores.

Nas imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas.

As vítimas são:

  • uma professora aposentada de 75 anos, de Taguatinga;
  • um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I;
  • um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.

Em nota, a família da vítima de 63 anos disse que acreditava que a morte tinha ocorrido por “causas naturais”. A informação sobre a suspeita de um crime só chegou na sexta (16).

Também em nota, o Hospital Anchieta disse que, “ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva”, instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial.

Os ex-técnicos de enfermagem supostamente envolvidos nos crimes foram demitidos e as famílias das vítimas foram informadas, “prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora” (veja as íntegras das notas abaixo).

Prisões
De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

A Polícia Civil ainda apura se existem outros casos no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde aonde o homem de 24 anos atuou.

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Leia matéria completa no G1