
A suspeita central é que Mariângela Fialek tenha exercido papel estratégico na organização dessas verbas.
A Polícia Federal apreendeu dezenas de planilhas com informações sobre emendas parlamentares de deputados federais durante a Operação Transparência, realizada em dezembro de 2025. O material foi encontrado em um endereço ligado à advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuou como braço-direito do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) no período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados, informa Fábio Serapião, no UOL.
Segundo a investigação, Mariângela Fialek ganhou projeção em Brasília por sua atuação direta na gestão do chamado orçamento secreto entre 2021 e 2022, período em que Arthur Lira esteve à frente da Câmara. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na residência da advogada quanto em seu antigo gabinete na Presidência da Casa, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
A PF apura se os documentos detalham a distribuição das emendas entre parlamentares e se revelam a lógica de divisão dos recursos, possivelmente orientada por interesses políticos de Arthur Lira e de outras lideranças do Congresso. A suspeita central é que Mariângela Fialek tenha exercido papel estratégico na organização dessas verbas.
O orçamento secreto foi proibido pelo STF em 2022, mas, até então, foi responsável pelo empenho de cerca de R$ 45 bilhões entre 2020 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Desse montante, aproximadamente R$ 20 bilhões foram executados sem transparência, sem a identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações.
A ausência de informações públicas sobre a autoria das emendas dificultava, por exemplo, a atuação de órgãos de controle em casos de suspeita de corrupção. Também não era possível mensurar quanto cada deputado destinava por meio desse tipo de emenda, o que ampliava as críticas ao modelo.
A Operação Transparência também investiga se Mariângela Fialek teria continuado a atuar na gestão de recursos semelhantes ao orçamento secreto durante a presidência da Câmara sob comando do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Nesse contexto, a PF analisa o uso das chamadas emendas de comissão, consideradas uma nova versão do mecanismo após a proibição das RP9.
Procurada pelo UOL, a defesa de Mariângela Fialek não respondeu aos contatos da reportagem. A assessoria de Arthur Lira optou por não se manifestar. Da mesma forma, a equipe de Hugo Motta não comentou o caso.
Criado em 2019, por meio de projeto aprovado no Congresso Nacional, o orçamento secreto concentrou poder no Legislativo ao permitir a distribuição de recursos federais sem transparência. Mesmo após a decisão do STF, o Congresso manteve outros tipos de emendas com baixo nível de publicidade, o que tem provocado novos atritos entre o Judiciário e o Legislativo, especialmente com o ministro Flávio Dino, e ampliado investigações sobre possíveis irregularidades no uso dessas verbas públicas.





