
Após as críticas, a Acadêmicos de Niterói afirmou sofrer perseguição política e declarou que “mesmo pressionada, não se curvou”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que protocolará representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola Acadêmicos de Niterói, por suposta intolerância religiosa. A iniciativa ocorre após o desfile em homenagem ao presidente Lula na Marquês de Sapucaí, no último domingo (15).
Uma das alas foi intitulada “Neoconservadores em conserva” e retratou grupos que fazem oposição ao governo federal. Entre os elementos cenográficos estavam referências ao agronegócio, a setores religiosos evangélicos, defensores da ditadura militar e figuras associadas à elite econômica.
Em nota, o parlamentar declarou que a representação visual teria tratado cristãos “como se fossem algo a ser descartado”, o que, segundo ele, “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”. O deputado citou a Constituição e a Lei 7.716/89 ao anunciar a medida.
“A Constituição garante liberdade religiosa. A Lei 7.716/89 pune atos de discriminação por motivo de religião. Por isso, protocolarei representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o presidente da escola de samba, na condição de autor intelectual do desfile, para que os fatos sejam apurados com o rigor da lei. Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, afirmou.
Post de Nikolas Ferreira no X. Reprodução
A Seção da OAB-RJ também divulgou nota de repúdio, sustentando que a ala representou “afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”. A entidade reiterou o compromisso com a defesa da liberdade religiosa e o combate à discriminação.
Após as críticas, a Acadêmicos de Niterói afirmou sofrer perseguição política e declarou que “mesmo pressionada, não se curvou”. Segundo a agremiação, houve “tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”.
O desfile, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentou passagens da trajetória política do presidente, desde Garanhuns até o Palácio do Planalto. O presidente acompanhou a apresentação em camarote ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e aliados.
A controvérsia também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral, onde já há processo que apura possível propaganda eleitoral antecipada. Em sessão recente, ministros manifestaram preocupação com o ambiente carnavalesco como espaço “muito propício a ilícitos eleitorais”, e a presidente da Corte comparou o contexto a uma “areia movediça”.





