
“Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, escreveu.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), destacou nesta quarta-feira (4) que a operação da Polícia Federal relacionada à chamada Operação Compliance Zero expõe um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.
A declaração foi publicada nas redes sociais da ministra após a operação policial autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça contra a organização criminosa que orbitava o Banco Master. A ação teve como alvos centrais os servidores do Banco Central e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, além de seu cunhado, Fabiano Zettel.
Ela ressaltou que dois servidores que ocuparam cargos relevantes na autarquia durante esse período teriam atuado em favor do banqueiro investigado. “O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação”, afirmou.
A decisão judicial do STF descreve a atuação de dois servidores do Banco Central que teriam mantido interlocução direta com o controlador do Banco Master.
Segundo o documento, Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), prestava consultoria informal ao empresário, oferecendo orientações estratégicas sobre processos administrativos envolvendo a instituição financeira.
A decisão afirma ainda que Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro da autarquia, fornecendo informações sobre procedimentos em andamento e indicando estratégias para lidar com questionamentos regulatórios.
Outro servidor citado na investigação é Belini Santana, que exercia a função de chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
Segundo a decisão, ele também mantinha contato frequente com Vorcaro e participava de discussões sobre temas relacionados à situação regulatória do banco.
De acordo com a decisão judicial, a investigação aponta indícios de que os dois servidores receberam vantagens indevidas associadas às atividades desenvolvidas em favor do Banco Master.
Os pagamentos teriam sido realizados por meio de estruturas destinadas a ocultar a origem dos recursos, incluindo contratos simulados de consultoria intermediados por empresas utilizadas pelo grupo investigado.
A decisão também menciona conversas entre integrantes da organização sobre a realização desses pagamentos e a necessidade de utilizar intermediários para ocultar a origem do dinheiro.
Diante desses elementos, o STF determinou medidas cautelares contra os dois servidores, incluindo suspensão do exercício da função pública, proibição de acesso às dependências do Banco Central e monitoração eletrônica.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo liderado por Daniel Vorcaro atuava com divisão estruturada de tarefas e possuía diferentes núcleos operacionais.
Entre eles estavam um núcleo financeiro responsável pelas operações bancárias investigadas, um núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores públicos, um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro e um núcleo de intimidação e monitoramento de adversários.
A decisão judicial também descreve a existência de uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, que realizaria atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.





