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Israel é acusado de usar fósforo branco em ataques no Líbano

Nesta segunda-feira (16), o Exército de Israel anunciou o início de “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano contra o Hezbollah. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram que a ação tem como objetivo “estabelecer e fortalecer uma...

Israel é acusado de usar fósforo branco em ataques no Líbano

O fósforo branco é uma substância química com propriedades incendiárias que queima a altas temperaturas, chegando a 800°C, e causa queimaduras graves e potencialmente fatais ao entrar em contato com a pele.

A Organização das Nações Unidas manifestou “grave preocupação” após a divulgação de um relatório da Human Rights Watch que aponta o uso de munições de fósforo branco pelo Exército de Israel no sul do Líbano. Segundo o relatório, as forças israelenses teriam utilizado “munições de fósforo branco sobre casas em 3 de março de 2026 na cidade libanesa de Yohmor, no sul do país”. Ainda assim, o uso arma química continua sendo relatada por moradores da região.

A organização afirmou, na última semana, ter “verificado e geolocalizado oito imagens que mostram munições de fósforo branco detonando no ar sobre uma área residencial da cidade e trabalhadores da defesa civil respondendo a incêndios em pelo menos duas casas e um carro naquela região”.

Nesta segunda-feira (16), o Exército de Israel anunciou o início de “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano contra o Hezbollah. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram que a ação tem como objetivo “estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada” por meio da destruição de infraestrutura do grupo armado.

Durante coletiva de imprensa, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que o organismo acompanha o relatório e classificou as informações como “muito preocupantes, para dizer o mínimo”. Segundo ele, a organização pediu informações adicionais à Força Interina das Nações Unidas no Líbano.

Dujarric também alertou para o agravamento rápido da situação humanitária no país. “A situação humanitária no Líbano está se deteriorando muito rapidamente”, disse. Ele acrescentou que as ordens de evacuação continuam em vigor no sul do Líbano e nos subúrbios ao sul de Beirute, o que tem provocado novos deslocamentos em massa de civis.

“Isso está forçando civis a se deslocarem em grande escala mais uma vez”, afirmou. O porta-voz acrescentou que o sistema de saúde também está sendo fortemente afetado. “Os serviços de saúde continuam sendo impactados, com cinco hospitais e dezenas de centros de atenção primária tendo encerrado suas operações”.

Mesmo com apoio humanitário limitado, a ONU afirmou que precisa de mais ajuda internacional para responder à crise. Dujarric destacou que o organismo continua atuando com “recursos limitados” e pediu apoio global “para atender às necessidades que crescem rapidamente”.

No domingo (15), um ataque israelense atingiu os subúrbios ao sul de Beirute após ordem de evacuação do Exército. Na cidade de Sidon, um dirigente do Hamas teria sido morto em um bombardeio, segundo fontes ouvidas pela AFP.

Consequências do fósforo branco

O fósforo branco é uma substância química com propriedades incendiárias que queima a altas temperaturas, chegando a 800°C, e causa queimaduras graves e potencialmente fatais ao entrar em contato com a pele. Seu efeito é tão persistente que, mesmo após a remoção de ataduras, a ferida pode reacender em contato com o oxigênio. A fumaça liberada é altamente tóxica e, se inalada, pode intoxicar o sistema respiratório e a corrente sanguínea.

Apesar de seus efeitos devastadores, o fósforo não é citado nominalmente como arma proibida em convenções internacionais, o que gera controvérsia sobre sua classificação legal.

“A bomba de fósforo branco pode ser classificada de duas maneiras – como uma arma incendiária ou como uma arma química”, explicou Tarciso Dal Maso Jardim, especialista em direito internacional humanitário ao Nexo. Como arma incendiária, seu uso é proibido contra civis, mas permitido contra combatentes. Como arma química, seria vetado em qualquer circunstância.

O fósforo tem usos legítimos em operações militares, como iluminação de áreas noturnas, criação de cortinas de fumaça para proteção de veículos e sistemas de defesa que confundem mísseis guiados por calor. A legalidade do uso, segundo interpretação predominante, depende da forma como é empregado: permitido para fins táticos, mas ilegal se lançado deliberadamente contra civis ou em áreas civis.

Dal Maso discorda dessa leitura. “Pessoalmente, considero a bomba de fósforo branco uma arma química. Portanto, da forma como eu vejo, o uso dela é proibido em toda e qualquer circunstância, sem exceção”, afirmou.