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Presidente da CPMI do INSS destinou R$ 3,6 mi à fundação ligada a Igreja da Lagoinha

Os repasses, segundo a coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, foram identificados em diferentes anos e direcionados à Fundação Oasis, braço social da instituição religiosa. A Igreja da Lagoinha aparece em discussões dentro da CPMI do INSS.

Presidente da CPMI do INSS destinou R$ 3,6 mi à fundação ligada a Igreja da Lagoinha

Carlos Viana (Podemos-MG), destinou ao menos R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação vinculada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão.

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), destinou ao menos R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação vinculada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Os repasses, segundo a coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, foram identificados em diferentes anos e direcionados à Fundação Oasis, braço social da instituição religiosa. A Igreja da Lagoinha aparece em discussões dentro da CPMI do INSS.

Um dos repasses ocorreu em 2019, quando o senador encaminhou uma emenda parlamentar de R$ 1,5 milhão à Prefeitura de Belo Horizonte. O recurso tinha destinação específica para a Fundação Oasis.

A organização foi criada em 18 de outubro de 1995 pela própria Igreja Batista da Lagoinha e atua em projetos de assistência social. Em seu site institucional, a entidade afirma que suas iniciativas buscam fortalecer a proteção social e o bem-estar das famílias.

Segundo a descrição publicada pela fundação, os projetos têm como princípios a promoção do bem-estar familiar e a transmissão de valores sociais, econômicos e culturais alinhados aos fundamentos previstos na Constituição Federal de 1988.

A Igreja da Lagoinha passou a ser mencionada nas discussões da CPMI do INSS após reportagens revelarem que Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, teria patrocinado um evento de Réveillon promovido pela entidade religiosa no estádio Allianz Parque, em São Paulo, em 2024.

Durante os debates relacionados ao tema, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou suspeitas sobre a atuação da Clava Forte Bank, fintech associada à igreja, e mencionou o empresário Fabiano Zettel, descrito como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e ex-pastor da instituição religiosa.

“Tenho denúncias de que o dinheiro saiu do Banco Master, via Zettel, e ia direto para a Clava Forte Bank. E a fintech e a própria Igreja da Lagoinha repassaram para empresas usadas para lavagem de dinheiro”, afirmou o parlamentar. Ele acrescentou que busca avançar nas investigações: “Eu preciso comprovar isso, mas preciso da quebra dos sigilos da Clava Forte, e o Viana não pauta”.

Procurada pela reportagem, a assessoria do senador Carlos Viana informou que as emendas parlamentares seguem os critérios previstos na Constituição e na legislação orçamentária.

“Quando um recurso é destinado por meio de emenda, ele é encaminhado ao ente público responsável, no caso os municípios, que passam a ter a responsabilidade de definir a execução do projeto, a entidade parceira e toda a prestação de contas, dentro das regras administrativas e sob fiscalização dos órgãos de controle”, afirmou o senador.

Segundo ele, no caso da emenda enviada à Prefeitura de Belo Horizonte, o valor foi destinado a ações de assistência social do município. “A definição da entidade executora ocorreu dentro dos procedimentos administrativos da própria prefeitura. A execução, fiscalização e prestação de contas são atribuições da administração municipal e dos órgãos competentes”, declarou.

O parlamentar também destacou que emendas destinadas à assistência social precisam ser encaminhadas ao Fundo Municipal de Assistência Social e aprovadas por conselhos responsáveis pela política social local antes da execução.

Na nota, Viana ressaltou ainda a atuação de projetos sociais mantidos por instituições religiosas. “O Brasil tem uma dívida histórica com milhares de projetos sociais mantidos por igrejas e instituições religiosas. Igrejas evangélicas e também a Igreja Católica, há décadas, realizam um trabalho silencioso e fundamental que muitas vezes o próprio Estado não consegue alcançar”, afirmou.

Ele acrescentou que iniciativas desse tipo atuam em áreas como recuperação de dependentes químicos, apoio a famílias vulneráveis e distribuição de alimentos. “Por isso, sempre destinei e continuarei destinando recursos para iniciativas sociais que ajudem quem mais precisa, independentemente de quem esteja à frente desses projetos, desde que estejam dentro da lei e prestando serviços reais à população.”

O senador também declarou que eventuais irregularidades devem ser investigadas pelas autoridades competentes. “Possíveis erros isolados, caso sejam comprovados, precisam ser tratados com o rigor da lei. Mas isso jamais pode apagar décadas de trabalho sério realizado por milhares de projetos sociais que transformam vidas todos os dias no Brasil.”