
“Ou cala a boca ou vai pro saco.”
O que começou como um pedido de socorro terminou em uma avalanche de violência ainda maior. Depois de denunciar o espancamento e a extorsão que sofreu dentro de um carro por aplicativo, em São Paulo, uma mulher de 27 anos passou a viver um novo pesadelo: sua conta na rede social X e seu WhatsApp foram inundados por ameaças de morte e ataques misóginos brutais.
A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) instaurou inquérito e investiga o caso. Entre as mensagens recebidas, o teor é assustador:
“Temos as informações sobre seus pais. Se não retirar a queixa a coisa vai ficar complicada para você.”
“Ou cala a boca ou vai pro saco.”
“O que você fez para apanhar?”
“Maior lerdona, tinha que ser mulher.”
A quantidade e a violência das mensagens transformaram a vítima, já traumatizada, em alvo de uma perseguição virtual cruel e contínua. O episódio que deu início a toda essa sequência de violência aconteceu na noite de 12 de março, em São Paulo.
A jovem havia solicitado um carro por aplicativo após sair do atendimento de uma cliente — uma corrida aparentemente comum, com destino à sua casa. O veículo indicado chegou conforme o esperado: um Chevrolet Cobalt, com placa e características idênticas às registradas no aplicativo. No entanto, algo não estava certo.
Ao se aproximar, a passageira percebeu que quem dirigia não era a motorista cadastrada, mas sim um homem — loiro, alto, forte, de pele muito clara e usando aparelho dentário. Apesar da estranheza, ela entrou no carro, acreditando que poderia se tratar de um familiar ou de uma substituição momentânea.





