×

EUA votam contra decisão da ONU sobre escravidão ser “o maior crime contra a humanidade”

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, complementou que o reconhecimento da injustiça histórica deve ser seguido de ações concretas e ousadas.

EUA votam contra decisão da ONU sobre escravidão ser “o maior crime contra a humanidade”

“A história não desaparece quando ignorada, a verdade não enfraquece quando adiada, o crime não apodrece… e a justiça não expira com o tempo”, afirmou o representante ganês, Ablakwa, durante o discurso na Assembleia da ONU.

Durante a sessão, o presidente ganês, John Dramani Mahama, criticou a oposição dos Estados Unidos e de países europeus, acusando-os de tentarem apagar a história das vítimas da escravidão. A medida também solicita reparações, incluindo indenizações financeiras, pedidos formais de desculpas e a devolução de artefatos históricos.

O professor Justin Hansford, especialista em direito da Universidade Howard, afirmou à Reuters que esta resolução representa um marco importante no reconhecimento da escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade e na crescente exigência por reparações.

Ele destacou a relevância histórica do momento: “Esta é a primeira votação no plenário da ONU. Não consigo enfatizar o suficiente a importância deste passo”, afirmou.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, complementou que o reconhecimento da injustiça histórica deve ser seguido de ações concretas e ousadas. A resolução pede que os países emitam pedidos formais de desculpas, devolvam bens culturais saqueados e considerem reparações financeiras como forma de reparar os danos causados pelo tráfico de africanos.

A oposição é particularmente forte entre líderes ocidentais, que defendem que a culpa não pode ser atribuída às gerações atuais. Mesmo assim, o movimento por reparações ganhou força nos últimos anos, com vários países da África e do Caribe pressionando a ONU a tomar ações mais concretas.

“A história não desaparece quando ignorada, a verdade não enfraquece quando adiada, o crime não apodrece… e a justiça não expira com o tempo”, afirmou o representante ganês, Ablakwa, durante o discurso na Assembleia da ONU.