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Hospital necessita de doação de fezes para transplante em MG

Os doadores precisam estar sadios e ter entre 18 e 50 anos, podem ser do sexo masculino ou feminino. Os interessados em doar as fezes passarão por uma entrevista por telefone e também por exames físico e laboratorial.

Hospital necessita de doação de fezes para transplante em MG

O tratamento faz parte de um protocolo de pesquisa que pretende entender a microbiota intestinal dos brasileiros. Segundo o estudo, as fezes dos brasileiros, em comparação com a dos norte-americanos, possuem 30% a mais de firmicutes, que é um filo de bactérias boas que habita o nosso organismo e faz parte da microbiota intestinal.

Na capital mineira fica o único Centro de Transplante de Microbiota Fecal do Brasil, especializado em transplante de microbiota fecal. O Centro, que segue rigorosas orientações dos órgãos internacionais, fica no Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), que também é um dos primeiros a ter um banco de fezes. E é exatamente esse banco que está precisando de doações de fezes de pessoas saudáveis. As informações são do Metrópoles.

Os doadores precisam estar sadios e ter entre 18 e 50 anos, podem ser do sexo masculino ou feminino. Os interessados em doar as fezes passarão por uma entrevista por telefone e também por exames físico e laboratorial. Para se inscrever é preciso enviar um e-mail manifestando a vontade de ser um doador. O endereço de e-mail é: transplantedefezeshcufmg@gmail.com.

“É um procedimento off?label que a gente conduz dentro de um projeto de pesquisa que foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da UFMG. A seleção?do?doador começa com um questionário simples. A partir dessas informações, a gente faz uma anamnese estruturada com várias perguntas para que, em um segundo momento, o voluntário faça exames de rotina. Uma vez aprovado nessas primeiras etapas, ele é submetido a exames específicos, inclusive exames de fezes bastante minuciosos, para que possa acontecer a doação sem riscos para o receptor”, explicou o coordenador do Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, o gastroenterologista Eduardo Vilela.

Pessoas que possuem infecção intestinal grave são as que podem passar por esse procedimento. O transplante de microbiota fecal é indicado em casos de “refratariedade ou recorrência da infecção pela?Clostridioides difficile”, uma bactéria que causa infecções no cólon, provocando diarreia leve a inflamações graves. O tratamento é oferecido desde 2017 pelo Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, e já beneficiou aproximadamente 20 pacientes. A taxa de sucesso é de 90%.

As fezes doadas são preparadas e processadas por uma equipe composta por médicos patologistas. Esse material fica armazenado em um ultrafreezer (-80°C). Isso garante a conservação do material a longo prazo. O tratamento funciona a partir da infusão de uma solução composta por esse substrato fecal por meio de uma colonoscopia convencional. A recuperação é rápida.

O tratamento faz parte de um protocolo de pesquisa que pretende entender a microbiota intestinal dos brasileiros. Segundo o estudo, as fezes dos brasileiros, em comparação com a dos norte-americanos, possuem 30% a mais de firmicutes, que é um filo de bactérias boas que habita o nosso organismo e faz parte da microbiota intestinal. Isso representa um potencial mais protetor contra infecções por Clostridium difficile e doenças como a retocolite e a doença de Crohn. O transplante de fezes é um dos tratamentos mais novos e modernos para infecção intestinal grave.