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Submisso a Trump, Flávio Bolsonaro ajuda a reeleger Lula, aponta Estadão

De acordo com o editorial, a iniciativa mais recente de Flávio Bolsonaro foi encaminhar um documento de 86 páginas ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que um eventual novo tarifaço contra produtos brasileiros fosse adiado...

Submisso a Trump, Flávio Bolsonaro ajuda a reeleger Lula, aponta Estadão

O editorial é especialmente severo ao apontar que Flávio Bolsonaro chega ao ponto de sugerir que Washington ajuste sua política comercial ao calendário eleitoral brasileiro. Para o Estadão, trata-se de um convite explícito para que uma potência estrangeira interfira no processo democrático nacional, algo classificado pelo jornal como um grave atentado à soberania brasileira.

O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) publicou um duro editorial no qual sustenta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem se transformando no principal aliado político da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a avaliação do jornal, ao atuar em defesa dos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao tentar influenciar a política comercial americana em função do calendário eleitoral brasileiro, o parlamentar acaba fortalecendo seu principal adversário.

Estadão argumenta que a medida expõe uma contradição profunda. Ao longo dos últimos meses, integrantes da família Bolsonaro trabalharam para convencer autoridades americanas a adotar sanções econômicas contra o Brasil em reação à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, diante do desgaste provocado por essas iniciativas, Flávio tenta evitar que o governo Lula capitalize politicamente os efeitos de um novo ataque comercial ao País.

Na avaliação do jornal, o episódio evidencia um comportamento incompatível com as responsabilidades de quem pretende disputar a Presidência da República. Em vez de defender os interesses nacionais perante uma potência estrangeira, o senador teria colocado seus próprios objetivos eleitorais acima dos interesses do Brasil.

O texto também critica as promessas feitas pelo senador aos Estados Unidos caso a oposição vença as eleições. Segundo o editorial, Flávio acenou com uma “busca agressiva” de acordos comerciais que envolveria o abandono do Mercosul, além da revisão da tributação incidente sobre cartões de crédito — setor dominado por empresas americanas — e da eliminação das tarifas sobre o etanol produzido nos Estados Unidos.

Para o Estadão, esse conjunto de propostas representa um amplo programa de alinhamento aos interesses de Washington, em detrimento das prioridades brasileiras. O jornal afirma que a postura do senador demonstra submissão política ao governo Trump e falta de compromisso com a defesa dos interesses nacionais.

O editorial observa ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou politicamente o episódio. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou: “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”, classificando a atitude como “mais uma atitude de traidores da Pátria”.

Segundo o editorial, Flávio Bolsonaro demonstra não compreender o enorme desgaste político provocado por sua atuação e termina oferecendo ao presidente Lula um poderoso argumento de campanha às vésperas da eleição. Para o jornal, a insistência do senador em buscar apoio político no exterior, mesmo quando isso implica prejuízos para o Brasil, acaba transformando-o, na prática, no mais eficiente cabo eleitoral da reeleição de Lula.