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Governo Tarcísio de Freitas  quer privatizar Memorial da América Latina

A direção aponta que o Memorial não é apenas um equipamento cultural da administração estadual, mas uma fundação com autonomia administrativa e financeira, conselho curador próprio e atuação acadêmica, científica e internacional.

Governo Tarcísio de Freitas  quer privatizar Memorial da América Latina

Tarcísio de Freitas incluiu o Memorial da América Latina no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP), abrindo caminho para estudos sobre uma possível privatização

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) incluiu o Memorial da América Latina no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP), abrindo caminho para estudos sobre uma possível privatização. A medida foi publicada no Diário Oficial na terça (19) e prevê a elaboração de análises para avaliar modelos como concessão ou outras formas de gestão compartilhada.

Segundo a Folha de S.Paulo, a decisão surpreendeu a direção da Fundação Memorial da América Latina, que afirma ter tomado conhecimento da medida apenas após ser procurada pela imprensa. Dirigentes e servidores declararam “perplexidade” por não terem sido consultados previamente e criticaram a caracterização do memorial como um simples ativo cultural passível de “exploração”, “delegação” ou “concessão”.

A direção aponta que o Memorial não é apenas um equipamento cultural da administração estadual, mas uma fundação com autonomia administrativa e financeira, conselho curador próprio e atuação acadêmica, científica e internacional.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos alegou que representantes do memorial participaram de discussões conduzidas pela Secretaria da Cultura antes da inclusão do projeto no programa. Segundo a pasta, o processo ainda está em fase inicial e tem como objetivo avaliar alternativas para preservação, manutenção, valorização e ampliação do uso público do espaço.

Memorial América Latina. Foto: Ronny Santos/Folhapress

O governo também informou que não existe definição sobre eventual modelo de concessão nem decisão de implementação. De acordo com a secretaria, os estudos passarão por etapas formais de consulta e audiência pública, com participação da sociedade civil e das instituições envolvidas.

A inclusão do memorial no programa ocorre em um momento em que a fundação tenta ampliar sua atuação acadêmica. Neste mês, o conselho curador aprovou a criação do Distrito Acadêmico e Científico Latino-Americano e definiu diretrizes para a futura Faculdade Memorial. A fundação também anunciou, em parceria com a Universidade Estadual Paulista, a criação do Centro de Ciência para a Integração Latino-Americana.

Entre as áreas de pesquisa previstas para o novo centro estão inteligência artificial, transição energética, biodiversidade neotropical e modelos de previsão de epidemias transfronteiriças.

A direção do memorial argumentou que iniciativas como a cátedra da Unesco e as atividades do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina não foram consideradas nos documentos que embasaram a inclusão da instituição no programa de concessões.