
Jaques Wagner e familiares foram alvos de busca e apreensão. O senador é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master. Em nota, ele nega ter atuado em favor desta ou de qualquer outra instituição financeira
Nos bastidores do Palácio do Planalto, segundo a CNN Brasil, uma ala avalia que a operação prejudica a imagem do governo federal e afeta diretamente a articulação política no Senado. Esse grupo defende que Wagner seja substituído da liderança do governo na Casa. Por enquanto, porém, prevalece a avaliação de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com o parlamentar e outros aliados.
Lula falou por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta-feira, mas auxiliares afirmam que o presidente prefere aguardar uma reunião presencial antes de deliberar sobre o assunto. Como o petista terá compromissos no Sudeste nos próximos dias, o encontro deve ficar para a próxima semana.
Interlocutores do presidente dizem que o Planalto já estava preparado para responder a questionamentos sobre possíveis conexões do PT baiano com o caso Banco Master. A operação contra Wagner, no entanto, surpreendeu integrantes do governo.
Após a operação, o PT alinhou o discurso interno. A principal orientação é individualizar eventuais responsabilidades de Wagner ou de qualquer outro aliado citado nas investigações, tentando preservar Lula, que disputa a reeleição neste ano.
Segundo apuração da CNN, o partido pretende manter o caso Banco Master em sua comunicação política e nas redes sociais. A estratégia será destacar que Lula deve enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial e que o adversário também aparece ligado a personagens investigados no caso.
Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes petistas devem intensificar publicações sobre a visita de Flávio a Daniel Vorcaro e sobre o áudio em que o senador cobra recursos do banqueiro para o filme “Dark Horse”. O partido também deve lembrar que Flávio chamou Vorcaro de “mermão”.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também reforçou a “confiança” do partido em Wagner. Ele afirmou que “uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”.





