
Para a entidade europeia, a suspensão automática decorrente de um cartão vermelho é uma regra objetiva e não poderia ser flexibilizada durante um torneio.
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) elevou o tom contra a FIFA após a decisão que permitiu ao atacante Folarin Balogun defender os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, mesmo após ter sido expulso na partida anterior. A manifestação ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter solicitado ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, a revisão da punição.
Logo na abertura do comunicado, a entidade afirma que “a decisão de suspender por um período probatório de um ano a implementação da suspensão automática de uma partida após o cartão vermelho aplicado ao jogador Folarin Balogun cruzou uma linha vermelha”.
Segundo a UEFA, embora algumas normas esportivas possam admitir interpretações distintas, esse não seria o caso da suspensão automática prevista para cartões vermelhos. A entidade sustenta que a regra constitui um princípio incorporado aos regulamentos da competição.
A UEFA acrescenta que esse princípio “não pode ser submetido a exceções, muito menos no meio de um torneio em que vários outros jogadores estiveram na mesma situação e cumpriram normalmente sua suspensão”.
O caso ganhou repercussão internacional após a revelação de que Donald Trump entrou em contato com Gianni Infantino pedindo a reavaliação da punição aplicada ao atacante norte-americano. Posteriormente, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu suspender a execução da sanção e liberar Balogun para enfrentar a Bélgica.
O atacante havia sido expulso no duelo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, em 1º de julho. Pelo artigo 10.5 do Regulamento da Copa do Mundo, a expulsão acarretaria suspensão automática na partida seguinte.
Após a decisão, Trump comemorou publicamente a liberação do atacante.
“Obrigado à FIFA por fazer a coisa certa e reverter uma grande injustiça!”, escreveu o presidente dos Estados Unidos na rede Truth Social.
Para a UEFA, porém, a flexibilização da regra ameaça um dos pilares do futebol internacional: a aplicação uniforme dos regulamentos.
A entidade também alerta que a decisão cria um precedente para o restante da Copa do Mundo.
“Tal decisão cria um precedente no torneio em andamento, em que situações semelhantes agora exigirão tratamento igual, em detrimento da competição”, afirma.
Na avaliação da UEFA, a força do futebol está justamente na aplicação das mesmas regras em qualquer país ou torneio.
“Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável”, completa o documento.





