
Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula naquele pleito, 56% foram classificados na esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% na direita ou centro-direita.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada pela Folha de São Paulo, revela que uma parcela relevante dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) possui posicionamento ideológico distinto daquele tradicionalmente associado aos dois pré-candidatos à Presidência da República.
A classificação ideológica utilizada pelo Datafolha não se baseia na autodeclaração dos entrevistados. O instituto constrói essa matriz a partir de um conjunto de respostas relacionadas a comportamento, valores sociais e visão sobre temas econômicos.
O levantamento também indica que a identificação dos brasileiros com a direita ou centro-direita voltou a superar a identificação com a esquerda ou centro-esquerda. De acordo com a pesquisa, 44% dos entrevistados foram classificados nos dois segmentos mais à direita do espectro ideológico, enquanto 39% ficaram na esquerda ou centro-esquerda.
- Esquerda: 24%;
- Centro-esquerda: 36%;
- Centro: 16%;
- Centro-direita: 19%;
- Direita: 5%.
Na prática, isso significa que quase um quarto do eleitorado do presidente está localizado à direita ou centro-direita, enquanto 60% permanecem nos campos da esquerda e centro-esquerda.
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, a distribuição apresentada pelo Datafolha foi:
- Direita: 25%;
- Centro-direita: 38%;
- Centro: 17%;
- Centro-esquerda: 15%;
- Esquerda: 3%.
Devido aos arredondamentos estatísticos, os segmentos de direita e centro-direita somam 64%, enquanto esquerda e centro-esquerda chegam a 19%.
Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula naquele pleito, 56% foram classificados na esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% na direita ou centro-direita.
Já entre aqueles que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 64% aparecem na direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% na esquerda ou centro-esquerda.
Para construir a classificação ideológica, o Datafolha utiliza uma matriz composta por 16 perguntas. Dez delas tratam de aspectos comportamentais, abordando temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, religião, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.
Na metodologia do instituto, comportamento e economia têm o mesmo peso, correspondendo cada um a 50% da pontuação final. A partir desse resultado, cada entrevistado é enquadrado em uma das cinco categorias ideológicas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda ou esquerda.
A pesquisa identificou alguns posicionamentos que destoam das agendas defendidas pelos respectivos candidatos.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% afirmaram acreditar que a posse de armas deveria ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas, posição diferente de uma das principais bandeiras políticas do senador.
O levantamento mostra ainda convergências entre os dois eleitorados em alguns temas. A maioria dos eleitores de Lula (61%) e de Flávio Bolsonaro (81%) defende que adolescentes que cometem infrações sejam punidos como adultos. Além disso, cerca de sete em cada dez entrevistados dos dois grupos afirmam que o governo deve apoiar grandes empresas nacionais que enfrentem risco de falência.
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.





