
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o parlamentar ao relacionar o tema com as eleições brasileiras.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, voltou a questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro durante um encontro com embaixadores estrangeiros realizado nesta terça-feira (21), em Brasília.
O encontro ocorreu durante o evento “Debating Brazil”, promovido pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report, especializado na cobertura do Brasil em língua inglesa.
Durante a conversa com os diplomatas, Flávio mencionou documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), divulgados na semana passada pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo os relatórios citados pelo senador, o governo da Venezuela, sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro, “tinha alguma capacidade de manipular sistemas eletrônicos de votação” naquele país.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, essa afirmação não corresponde ao histórico da empresa citada. A Smartmatic, responsável pelos sistemas eletrônicos utilizados na Venezuela, não fornece urnas eletrônicas nem softwares empregados nas eleições brasileiras.
De acordo com o TSE, a empresa participou de uma licitação para a fabricação de urnas em 2020, mas não foi vencedora. O contrato foi conquistado pela Positivo. A Smartmatic manteve apenas contratos relacionados ao treinamento de profissionais de suporte técnico e à prestação de serviços de conexão de dados e voz.
Após comentar os documentos da CIA, Flávio fez uma ressalva ao afirmar que “eu não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade possível de observadores para as eleições, como sempre fazem”.
A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre em circunstâncias semelhantes às da reunião promovida por Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022, quando o então presidente apresentou críticas ao sistema eleitoral brasileiro utilizando a estrutura da Presidência da República.
Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Jair Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos. A Corte concluiu que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o encontro com diplomatas, realizado no Palácio da Alvorada.
Embora o evento desta terça-feira (21) tenha ocorrido em ambiente privado, a escolha do público — formado por representantes diplomáticos estrangeiros — e o conteúdo das declarações retomaram uma estratégia política semelhante à adotada pelo ex-mandatário.





