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Dilma defende retorno da Argentina aos BRICS e pede governança global para a inteligência artificial

Ao ser questionada sobre a decisão do governo Milei de abandonar o convite feito pelos BRICS em 2023, Dilma evitou críticas diretas e ressaltou o respeito à soberania argentina. “Não tenho como me manifestar sobre isso. Nós respeitamos essa decisão”,...

Dilma defende retorno da Argentina aos BRICS e pede governança global para a inteligência artificial

Durante a conferência em Xangai, Dilma concentrou boa parte de sua exposição na importância estratégica da inteligência artificial para os países em desenvolvimento.

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, afirmou que gostaria de ver a Argentina voltar a buscar sua adesão aos BRICS, apesar da decisão do governo de Javier Milei de retirar o país do processo de ingresso no bloco. Em entrevista concedida ao Clarín durante uma conferência internacional sobre inteligência artificial realizada em Xangai, Dilma reiterou que o agrupamento permanece aberto à participação argentina no futuro.

“Gostaria que a Argentina voltasse a tentar. Estaremos sempre de portas abertas”, declarou a ex-presidente brasileira ao comentar a possibilidade de uma mudança de rumo na política externa do país vizinho.

Ao ser questionada sobre a decisão do governo Milei de abandonar o convite feito pelos BRICS em 2023, Dilma evitou críticas diretas e ressaltou o respeito à soberania argentina. “Não tenho como me manifestar sobre isso. Nós respeitamos essa decisão”, afirmou.

Durante a conferência em Xangai, Dilma concentrou boa parte de sua exposição na importância estratégica da inteligência artificial para os países em desenvolvimento. Segundo ela, a tecnologia pode acelerar a modernização de áreas fundamentais como saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos, além de contribuir para reduzir desigualdades tecnológicas entre países ricos e emergentes.

A dirigente do NDB destacou que a inteligência artificial representa uma oportunidade histórica para ampliar a produtividade e melhorar a qualidade de vida, desde que seu acesso não fique restrito às grandes potências tecnológicas.

Dilma também manifestou apoio à adoção de modelos de inteligência artificial de código aberto (open source), argumentando que essa abordagem democratiza a inovação e permite que diferentes países adaptem as tecnologias às suas próprias necessidades econômicas e sociais.

Segundo ela, a disseminação de plataformas abertas acelera o desenvolvimento tecnológico e reduz a dependência de poucas empresas e países que hoje concentram a maior parte da capacidade mundial em IA.

À frente do banco dos BRICS, Dilma afirmou que a instituição vem estudando mecanismos para financiar projetos ligados à transformação digital e à inteligência artificial, especialmente aqueles voltados à infraestrutura tecnológica dos países em desenvolvimento.

Ela ressaltou que o bloco tem condições de desempenhar um papel relevante na construção de um ecossistema internacional mais equilibrado para o desenvolvimento da IA, ampliando o acesso ao financiamento e reduzindo as assimetrias tecnológicas globais.

Dilma também defendeu a criação de regras internacionais para orientar o desenvolvimento da inteligência artificial. Para ela, o principal desafio não reside na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada por governos, empresas e indivíduos.

Segundo a presidente do NDB, o combate à desinformação, à manipulação de conteúdos e aos riscos decorrentes do uso inadequado da IA exige uma governança baseada em tratados multilaterais, tendo as Nações Unidas como principal espaço de coordenação.

Ela enfatizou que nenhum país deve pretender controlar sozinho a evolução da inteligência artificial, defendendo uma arquitetura internacional baseada na cooperação entre Estados e organismos multilaterais.

A conferência realizada em Xangai reuniu autoridades, especialistas e líderes internacionais para discutir os rumos da inteligência artificial em um momento de intensa competição tecnológica entre as grandes potências.

O encontro também contou com a apresentação de propostas do presidente chinês, Xi Jinping, para fortalecer uma governança internacional da IA baseada na cooperação e no desenvolvimento compartilhado. Nesse contexto, Dilma alertou para o risco de concentração da capacidade tecnológica em um número reduzido de economias e reiterou que a cooperação internacional será decisiva para que a inteligência artificial beneficie toda a humanidade, e não apenas um pequeno grupo de países.