
Durante a entrevista, o comandante voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede militares da ativa que disputem eleições de retornarem posteriormente à carreira militar.
O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, classificou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como um “acontecimento lamentável” e afirmou que o episódio evidenciou a capacidade das instituições brasileiras de responder à crise dentro dos marcos constitucionais.
Questionado sobre a permanência da influência política no ambiente militar, Olsen afirmou que ainda não é possível dizer que ela tenha sido completamente superada. “Não posso dizer isso, mas há um avanço, se considerarmos em relação à situação que culminou no 8 de janeiro de 2023, pela postura das forças”, declarou.
O comandante atribuiu parte desse avanço ao trabalho do ministro da Defesa, José Múcio, a quem creditou a missão de “contemporizar os ânimos” e contribuir para o realinhamento das Forças Armadas após a crise institucional. Olsen reiterou ainda que “discussões político-partidárias são incongruentes com o papel das Forças Armadas”.
Na avaliação de Olsen, a atividade militar é incompatível com a participação em disputas político-eleitorais, razão pela qual considera necessária uma separação definitiva entre as duas esferas.
O comandante também abordou a situação financeira da Defesa e afirmou que o principal problema não é apenas o volume de recursos, mas a ausência de previsibilidade para a execução de contratos de longo prazo. “O setor de defesa se ressente de uma adequação orçamentária e, particularmente, de previsibilidade orçamentária”, afirmou.
Segundo Olsen, a baixa percepção da sociedade sobre ameaças à segurança nacional influencia as decisões políticas e orçamentárias, produzindo uma “mentalidade bastante acanhada de defesa”.
Entre os projetos prejudicados pela instabilidade orçamentária está o submarino brasileiro de propulsão nuclear, considerado a principal iniciativa estratégica da Marinha.
Desenvolvido em parceria com a França desde o fim dos anos 2000, o programa teve seu cronograma sucessivamente adiado. A entrega, inicialmente prevista para meados da década de 2020, agora está estimada para 2038.
Outros programas das Forças Armadas, como a aquisição de caças e o sistema de monitoramento de fronteiras do Exército, também sofreram atrasos em razão da falta de previsibilidade orçamentária.





