
O delator entregou comprovantes das transferências usadas para o pagamento das subscrições de cotas e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate. Calixto é advogado do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de delação que transações feitas a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, somaram US$ 12,333 milhões em pagamentos ao fundo Havengate Development Fund, ligado ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
A informação central da delação é que os valores teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A versão apresentada pelo delator também contraria uma afirmação feita pelo parlamentar, segundo a qual o último pagamento de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. De acordo com o relato, houve uma transferência posterior, em setembro, no valor de US$ 1,666 milhão.
Operação por cotas de fundo no exterior
Antonio Carlos declarou que foi procurado por Vorcaro entre o fim de 2024 e o início de 2025 para operacionalizar o envio de recursos ao exterior por meio da subscrição de cotas do Havengate Development Fund. A subscrição de cotas é um mecanismo pelo qual um fundo emite novas cotas para receber aportes de investidores e ampliar seu patrimônio.
Ainda conforme o relato, a solicitação inicial era mais ampla do que os pagamentos efetivamente realizados. “A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026”, disse o delator.
No entanto, segundo Antonio Carlos, apenas sete transações foram concluídas. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
Comprovantes e e-mails entregues às autoridades
O acordo de delação de Antonio Carlos foi firmado com a PGR em 8 de agosto e está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Cabe ao magistrado decidir se homologa ou não o acordo de colaboração.
“No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que culminou na assinatura de uma ‘carta de compromisso’ em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Development Fund”, afirmou o dono da Entre.
O empresário também relatou que, antes de cada nova subscrição, Vorcaro voltava a acioná-lo. “Um pouco antes de cada uma das demais subscrições previstas na ‘carta de compromisso’, Daniel Vorcaro entrava em contato com Antonio Carlos, por WhatsApp, para que ele formalizasse a subscrição e fizesse o pagamento respectivo”, disse.
PF investiga destino final dos recursos
Antonio Carlos afirmou às autoridades que não sabia qual seria o destino final dos valores enviados ao fundo Havengate. A Polícia Federal apura se todo o dinheiro foi efetivamente usado na produção do filme Dark Horse, como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos foi direcionada a outras finalidades, incluindo eventual financiamento de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, uma das linhas investigativas da PF é verificar se recursos mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.
Defesa e produtora
Procurado pela reportagem, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, informou que não comentaria o caso por causa do segredo de Justiça.
A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos da delação e respondeu que as informações sobre o tema vêm sendo prestadas pela produtora Go Up, responsável por Dark Horse.





