×

Lula acusa EUA de “manipular” tema do trabalho forçado para justificar tarifa

O Planalto afirmou ter entregado ao USTR documentos sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras. A resposta destacou que o país considera crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas também jornadas exaustivas, condições degradantes e...

Lula acusa EUA de “manipular” tema do trabalho forçado para justificar tarifa

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo”, afirmou o governo.

O governo Lula reagiu à nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos expondo a diferença entre os compromissos trabalhistas internacionais assumidos pelos dois países. Segundo nota publicada nesta quinta-feira (23), o Brasil é signatário de 66 convenções em vigor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto os estadunidenses ratificaram apenas dez.

A cobrança foi imposta após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, que acusa o Brasil de não proibir nem fiscalizar adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Planalto classificou a medida como “completamente arbitrária e injustificada”.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo”, afirmou o governo.

A nota também comparou a adesão dos dois países a quatro instrumentos da OIT relacionados diretamente ao trabalho forçado. O Brasil citou as convenções 29 e 105, a Recomendação 203 e o Protocolo de 2014 à Convenção 29. Segundo o governo, os Estados Unidos ratificaram apenas um dos instrumentos mencionados.

O Planalto afirmou ter entregado ao USTR documentos sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras. A resposta destacou que o país considera crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas também jornadas exaustivas, condições degradantes e restrições à liberdade de locomoção.

O governo também citou a responsabilização de empresas e indivíduos, a aplicação de multas e a manutenção da chamada “Lista Suja” de empregadores flagrados explorando mão de obra em condições análogas à escravidão. O argumento brasileiro é que Washington ignorou esse conjunto de medidas ao concluir a investigação.

A acusação estadunidense, porém, concentra-se especialmente na existência e na aplicação de uma barreira comercial contra produtos fabricados no exterior com trabalho forçado. A tarifa não afirma que as exportações brasileiras atingidas tenham sido produzidas nessas condições, mas pune o país pelo modelo considerado insuficiente pelos Estados Unidos.