
Dong Jun afirmou que o Exército Popular de Libertação irá “frustrar resolutamente” qualquer tentativa de separação promovida por forças favoráveis à chamada “independência de Taiwan”.
O ministro da Defesa da China, Dong Jun, afirmou que o Exército Popular de Libertação (ELP) impedirá qualquer tentativa de promover a independência de Taiwan ou de realizar uma intervenção militar externa na questão da ilha. As declarações foram feitas durante uma recepção realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para celebrar o 99º aniversário da fundação das Forças Armadas chinesas, segundo o jornal Global Times.
A mensagem reafirma uma das posições centrais da política chinesa: Taiwan é considerada uma parte inseparável do território nacional e a questão da reunificação constitui um assunto interno do país.
Dong Jun afirmou que o Exército Popular de Libertação irá “frustrar resolutamente” qualquer tentativa de separação promovida por forças favoráveis à chamada “independência de Taiwan”.
A declaração, no entanto, ocorre em meio à crescente presença militar dos Estados Unidos e de seus aliados no Indo-Pacífico, assim como ao fornecimento de armas e apoio político de Washington às autoridades de Taiwan.
Para Pequim, a atuação de forças externas incentiva tendências separatistas e amplia o risco de confrontação no Estreito de Taiwan.
Segundo Dong, o ELP está determinado a cumprir sua “missão sagrada” de defender a soberania nacional, a segurança do Estado e os interesses estratégicos chineses.
A China declara buscar prioritariamente uma solução pacífica, mas não renuncia ao uso da força em caso de proclamação formal de independência ou de intervenção militar estrangeira.
O ELP realiza regularmente exercícios de prontidão e operações de dissuasão no entorno da ilha. Segundo o Ministério da Defesa chinês, essas ações têm o objetivo de combater o separatismo, impedir interferências externas e proteger a integridade territorial do país.
Ao apresentar o ELP como uma fortaleza em defesa da reunificação, Dong Jun destacou que a missão das Forças Armadas chinesas não se limita à proteção física das fronteiras.
A estratégia militar do país inclui a capacidade de impedir que forças estrangeiras alterem pela força o equilíbrio no Estreito de Taiwan.
Esse objetivo ajuda a explicar os investimentos realizados nas últimas décadas em aviação, marinha, mísseis de longo alcance, submarinos, defesa aérea, inteligência, sistemas espaciais, guerra eletrônica e operações cibernéticas.
A modernização busca aumentar a capacidade chinesa de negar ou dificultar a atuação de forças adversárias nas águas e no espaço aéreo próximos ao território nacional.
A data marca o aniversário da Revolta de Nanchang, ocorrida em 1927 e considerada o episódio fundador das forças armadas dirigidas pelo Partido Comunista da China.
Em quase um século, o ELP passou de uma força revolucionária criada em meio à guerra civil para uma das maiores e mais tecnologicamente avançadas organizações militares do mundo.
O aniversário de 2026 possui ainda um significado especial por anteceder o centenário do Exército Popular de Libertação, que será celebrado em 2027. A liderança chinesa estabeleceu para essa data importantes metas de modernização, prontidão e integração operacional das Forças Armadas.
Em seu pronunciamento, Dong Jun lembrou também que 2026 marca o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China e os 90 anos do encerramento da Longa Marcha.
Realizada entre 1934 e 1936, a Longa Marcha tornou-se um dos acontecimentos mais importantes da história revolucionária chinesa. O deslocamento das forças comunistas por milhares de quilômetros garantiu a sobrevivência do movimento e consolidou a liderança de Mao Tsé-tung.
Ao recordar essas datas, o ministro associou a trajetória do ELP à história do Partido Comunista e à construção do Estado chinês contemporâneo.
Na estrutura política do país, o Exército Popular de Libertação está sob a direção do Partido, exercida por meio da Comissão Militar Central.
Dong Jun destacou a necessidade de manter as tradições políticas do ELP e, ao mesmo tempo, acelerar sua modernização.
Essa combinação entre lealdade política, avanço tecnológico e capacidade de combate constitui uma das principais diretrizes estabelecidas pela liderança chinesa.
As reformas militares realizadas nos últimos anos buscaram superar uma estrutura excessivamente concentrada nas forças terrestres e desenvolver uma organização apta a conduzir operações conjuntas nos domínios terrestre, marítimo, aéreo, espacial, cibernético e eletromagnético.
Pequim procura formar forças mais flexíveis, informatizadas e preparadas para responder rapidamente a crises de segurança.
As comemorações pelos 99 anos do ELP também foram acompanhadas pela divulgação de novos equipamentos e imagens de treinamentos militares.
Entre os sistemas apresentados estiveram recursos defensivos do navio de assalto anfíbio Tipo 076 Sichuan e lançamentos realizados pelo sistema de artilharia de foguetes de longo alcance Tipo 191.
Especialistas chineses avaliaram que as imagens demonstram a evolução do ELP para uma etapa de desenvolvimento sistemático, inteligente e capaz de operar em múltiplos domínios.
A capacidade de executar ataques de precisão a longa distância tornou-se uma das prioridades da modernização militar chinesa.
O desenvolvimento do ELP está diretamente relacionado à transformação econômica e tecnológica da China.
À medida que o país se tornou uma potência industrial, comercial e científica, ampliaram-se também os interesses que precisam ser protegidos: grandes centros urbanos, infraestrutura energética, redes digitais, rotas marítimas, cadeias de suprimento e investimentos internacionais.
A liderança chinesa considera que o desenvolvimento nacional depende de um ambiente seguro e de uma capacidade militar suficiente para impedir pressões, bloqueios ou agressões externas.
Por esse motivo, a modernização da defesa é tratada como parte integrante do projeto de rejuvenescimento nacional.
Apesar da linguagem firme sobre Taiwan, Dong Jun afirmou que as Forças Armadas chinesas estão dispostas a cooperar com outros países para promover a paz e a estabilidade internacional.
“O ELP trabalhará com todas as forças que defendem a justiça e aspiram a objetivos comuns”, declarou o ministro, segundo o Global Times.
A posição busca apresentar a China simultaneamente como uma potência determinada a defender suas linhas vermelhas e como participante de iniciativas internacionais de segurança, missões de paz e cooperação militar.
Pequim sustenta que sua expansão militar possui caráter defensivo e responde à necessidade de proteger a soberania e o desenvolvimento do país.
A cerimônia pelos 99 anos do Exército Popular de Libertação ocorreu em um contexto de intensificação das rivalidades estratégicas na Ásia.
Os Estados Unidos ampliaram alianças e parcerias militares no Indo-Pacífico, enquanto a China fortaleceu suas capacidades navais, aéreas e de mísseis.
Nesse cenário, o discurso de Dong Jun procurou estabelecer uma linha clara: Pequim não aceitará a separação definitiva de Taiwan nem uma intervenção militar externa destinada a impedir a reunificação.
Ao mesmo tempo, a liderança chinesa procura demonstrar que o ELP está cada vez mais preparado para respaldar politicamente essa posição.
Às vésperas de completar um século, o Exército Popular de Libertação reafirma, assim, seu papel como um dos pilares da ascensão da China. Para Pequim, a capacidade de defender a soberania, impedir o separatismo e preservar a estabilidade constitui uma condição indispensável para que o país avance em seu projeto de desenvolvimento e consolidação como uma das principais potências do século XXI.





