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Autoridades estimam 60 mil marroquinos em “invasão” a Ceuta

O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia divulgado que mais de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, com base em dados do Ministério do Interior. O órgão retirou a informação de seu site mais tarde,...

Autoridades estimam 60 mil marroquinos em “invasão” a Ceuta

Cerca de 60 mil migrantes cruzaram nos últimos dias a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, levando Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança nesta sexta-feira (31).

Cerca de 60 mil migrantes cruzaram nos últimos dias a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, levando Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança nesta sexta-feira (31). O governo local informou que ao menos 34 corpos foram encontrados após as travessias por terra e mar.

Juan Jesús Vivas, líder de Ceuta, disse que o total equivale a mais de 70% dos cerca de 85 mil habitantes do território. O ministro do Interior espanhol estimou que 25 mil migrantes retornaram voluntariamente ao Marrocos na manhã de sexta.

O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia divulgado que mais de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, com base em dados do Ministério do Interior. O órgão retirou a informação de seu site mais tarde, sem explicar a mudança.

Autoridades marroquinas usaram caminhões com canhões de água nos portões de Ceuta para dispersar a multidão. Próximo à fronteira, havia os restos carbonizados de um ônibus e de sete carros após confrontos.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou Ceuta com o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e classificou o episódio como “um ataque, uma violação” do território nacional. Ele afirmou que o governo espanhol está ao lado dos moradores da cidade.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a União Europeia mantém contato com as autoridades marroquinas. Ela classificou as cenas em Ceuta como “inaceitáveis” e disse que ninguém pode entrar no bloco sem respeitar suas regras.

Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. As duas cidades autônomas espanholas no norte do Marrocos enfrentam tentativas periódicas de travessia, mas as autoridades apontaram que a dimensão do fluxo desta semana não tinha precedentes.

Na cidade marroquina de Fnideq, milhares de pessoas buscaram rotas alternativas ao longo da costa depois do reforço da vigilância. Entre elas havia mulheres, crianças, marroquinos e migrantes de países da África Subsaariana; alguns se preparavam para nadar.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que poderá adotar “medidas extraordinárias”, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha. O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, chamou de “inapropriada” uma crítica do chanceler italiano Antonio Tajani e anunciou que convocará o embaixador da Itália para protestar.

A França informou que reforçará as verificações em sua fronteira com a Espanha e disse estar pronta para ajudar por meio da agência europeia de fronteiras Frontex. O Reino Unido também ofereceu apoio ao governo espanhol diante da crise.