Jornalismo deveria ter a deusa primitiva Mnemosine como sua patronesse — refiro-me à memória —, e não a simpática peixinha Dory, de “Procurando Nemo”, aquela que vivia no presente eterno. Sergio Moro caiu dois dias depois de Jair Bolsonaro deixar claro, numa reunião ministerial de 22 de abril de 2020, que iria, sim, ter o controle da PF — e o demitido deu inúmeras entrevistas acusando a interferência.
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A imprensa fez picadinho de Toffoli, acusando-o de tentar controlar a investigação do Master. O próprio Andrei Rodrigues, insisto, reclamou do que considerou intromissão excessiva do ministro — e isso pareceu bem a todos. Pois é…
Agora, Mendonça decidiu que a PF deve lhe fornecer tudo em tempo real, mesmo os procedimentos internos, próprios da rotina da investigação, em que relevâncias e irrelevâncias vão sendo colhidas. E com um mimo: ele exige tudo indexado. Para quem não entendeu: quer dar um “Ctrl L” e achar quem eventualmente queira achar.
Isso é ilegal. Tem nome técnico: chama-se QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA DAS PROVAS, além de representar uma interferência no trabalho da Polícia Federal a que nem mesmo o Ministério Público Federal, que faz o controle externo da PF, tem direito.
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E aí vem aquele papo-furado sobre o pânico que Mendonça causaria em sei lá quem. Em quem? Não nos golpistas, certamente. Quando lhe foi dado arbitrar sobre os crimes cometidos pela súcia, não viu nada além de uma manifestação de gente decente, mas um pouco descontrolada.
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Volto a perguntar: quem investiga o diretor-geral da PF? Curioso, não? Ignorando o Artigo 256 do Código de Processo Penal e o Art. 145, § 2º, I, do Código de Processo Civil, coleguinhas e colunistas do extremismo de centro chegaram a defender que Alexandre de Moraes se declarasse suspeito nos casos em que ele era ameaçado pelos extremistas que buscavam justamente provocar a sua… suspeição. Ainda bem que os tais códigos, de 1941, são mais rápidos do que alguns analistas de 2026…
O super-Mendonça, agora, é relator do STF, policial dos policiais da PF e ainda exerce a função de controlador externo da PF. Se houver denúncia do MPF, será também juiz. Mais um pouco, ele decide se a viúva pode tomar um Chicabon no portão. E isso, a muitos e a muitas, parecerá uma poesia. Vai dar ruim. Como deu a Lava Jato.
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Ministro Mendonça, responda: quem compõe a polícia privada que investiga o diretor-geral da PF? E quantos inquéritos são necessários contra Lulinha até que as urnas respondam?