
Athayde Ribeiro Costa tornou-se alvo de medidas protetivas após denúncia de suposta agressão contra um de seus filhos.
O ex-procurador da força-tarefa da Lava Jato Athayde Ribeiro Costa, que ganhou notoriedade por atuar nos processos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornou-se alvo de medidas protetivas determinadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) após denúncia de suposta agressão contra um de seus filhos.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (31), com base na Lei Henry Borel, após pedido apresentado pela mãe das crianças. Segundo os relatos encaminhados à Polícia Civil, um dos filhos afirmou ter sofrido agressões físicas durante o período de férias.
De acordo com o depoimento, o menino relatou ter recebido apertões no braço que deixaram marcas. A mãe também informou à polícia que já havia registros anteriores envolvendo o outro filho do casal, incluindo boletins de ocorrência e um laudo do Instituto Médico Legal (IML).
O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à adoção de parte das medidas protetivas, ressaltando a necessidade de garantir a proteção imediata das crianças diante da gravidade das denúncias.
Ao analisar o caso, o juiz entendeu que existiam elementos suficientes para determinar medidas cautelares enquanto as investigações prosseguem.
Entre as determinações estão a proibição de Athayde Ribeiro Costa se aproximar das vítimas a menos de 300 metros e de qualquer contato por telefone, WhatsApp, e-mail ou redes sociais.
O magistrado negou o pedido de afastamento do lar porque as partes não vivem na mesma residência. Outros pedidos, como a suspensão das visitas e o acompanhamento psicossocial das crianças, serão analisados pela Vara competente.
A decisão tem caráter cautelar e não representa conclusão sobre a ocorrência das supostas agressões.
Athayde Ribeiro Costa integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e atuou diretamente em processos contra Lula, protagonizando diversos embates com a defesa do petista, então comandada pelo advogado Cristiano Zanin, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante uma audiência do caso do sítio de Atibaia, em 2018, Athayde tentou associar a boa relação entre Lula e o empresário Léo Pinheiro, da OAS, a um suposto favorecimento ilícito.
Ao ser questionado sobre sua proximidade com o empreiteiro, Lula respondeu: “Sem falsa modéstia, todos os empresários deveriam gostar muito de mim. Todos me tratavam com muito respeito porque eles viveram no meu governo o momento de ouro deste país.”
O nome de Athayde voltou ao noticiário em 2019, quando o The Intercept Brasil divulgou mensagens internas da força-tarefa da Lava Jato obtidas por meio de conversas no Telegram.
Em um dos diálogos, procuradores discutiam se Lula, então preso em Curitiba, deveria ser autorizado a deixar a prisão para comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
Athayde escreveu inicialmente: “eu tb acho que tem que autorizar a saida”. Em seguida, fez uma brincadeira sobre a situação: “ou, como disse um de nós, leva o morto la na pf”.
As mensagens também revelaram discussões sobre a utilização de uma interceptação telefônica envolvendo Mariuza Aparecida Marques, funcionária da OAS e testemunha de acusação no processo do tríplex do Guarujá.
Em conversa com os demais procuradores, Athayde demonstrou preocupação de que o conteúdo pudesse fortalecer a tese da defesa de Lula.
Ele escreveu: “Pessoal, especialmente Deltan, temos que pensar bem se vamos utilizar esse diálogo da Mariuza, objeto da interceptação. O diálogo pode encaixar na tese do Lula de que não quis o apartamento. Pode ser ruim para nós.”
Nos diálogos interceptados, Mariuza afirmava que Marisa Letícia teria desistido da cota do imóvel e orientava que o assunto não fosse tratado por telefone.
A defesa de Lula utilizou posteriormente essas mensagens para sustentar que elementos potencialmente favoráveis a Lula foram omitidos dos autos e questionou a legalidade da condução das investigações.





