
O presidente argumenta que as instituições deveriam levar em consideração que muitos trabalhadores deixarão de pagar aluguel por um veículo depois de adquirirem um automóvel próprio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as instituições financeiras por criarem obstáculos para que trabalhadores de aplicativos tenham acesso ao crédito destinado à compra de veículos. A cobrança ocorre no contexto do Move Brasil, programa criado para facilitar o financiamento de automóveis para a categoria.
Um dos principais questionamentos de Lula envolve a forma como os bancos calculam a capacidade de pagamento dos motoristas. O presidente argumenta que as instituições deveriam levar em consideração que muitos trabalhadores deixarão de pagar aluguel por um veículo depois de adquirirem um automóvel próprio.
A questão passou a ser acompanhada também pelo ministro Guilherme Boulos, encarregado de reunir trabalhadores que tentaram aderir ao programa, mas não conseguiram financiamento, para identificar os obstáculos enfrentados pela categoria.
Embora o Move Brasil tenha sido estruturado para ampliar o acesso dos trabalhadores de aplicativos à compra de veículos, a concessão do financiamento continua dependendo da avaliação realizada pelos bancos.
É justamente nessa etapa que Lula identifica os principais entraves.
O presidente já questionou as instituições financeiras sobre a burocracia exigida e os critérios adotados para avaliar os trabalhadores interessados no programa.
Um dos argumentos apresentados por Lula diz respeito aos motoristas que atualmente precisam alugar um automóvel para trabalhar.
Para o presidente, os bancos deveriam considerar na análise financeira que o trabalhador que consegue comprar seu próprio veículo deixa de arcar com o custo do aluguel.
Isso significa que uma despesa já existente poderia ser substituída pela prestação do financiamento.
O tema é particularmente relevante porque o veículo funciona como instrumento de trabalho para motoristas de aplicativos. A aquisição do automóvel próprio pode substituir um custo recorrente associado ao aluguel necessário para exercer a atividade.
A crítica do presidente é que a capacidade de pagamento precisa ser analisada levando em conta essa realidade econômica.
Diante das dificuldades relatadas, Guilherme Boulos recebeu a tarefa de ouvir diretamente motoristas que tentaram obter financiamento por meio do Move Brasil, mas tiveram seus pedidos recusados.
A partir dos casos concretos, o governo pretende compreender onde estão os principais gargalos na operação do programa e quais obstáculos aparecem com maior frequência nas análises realizadas pelas instituições financeiras.
A estratégia também permite comparar as regras previstas pelo programa com a experiência dos trabalhadores no momento em que solicitam o financiamento.
Lula já relatou situações em que casos de trabalhadores foram discutidos e tiveram aprovação rápida, reforçando sua cobrança para que os procedimentos sejam capazes de atender efetivamente o público para o qual a política foi criada.
O Move Brasil foi criado para facilitar a aquisição de veículos por trabalhadores de aplicativos.
O programa contempla automóveis de até R$ 150 mil e busca ampliar as condições de financiamento para uma categoria que depende diretamente do veículo para gerar renda.
Apesar do apoio governamental, a operação continua submetida à análise de crédito das instituições financeiras participantes.
Para ampliar a capacidade do programa e reduzir riscos na concessão dos empréstimos, o governo destinou um reforço de R$ 1 bilhão em garantias.
O mecanismo busca criar condições mais favoráveis para a concessão do crédito, sem eliminar a avaliação realizada pelos bancos.
O impasse apontado por Lula está justamente nessa relação: enquanto o governo oferece garantias para facilitar os financiamentos, trabalhadores continuam relatando dificuldades para obter aprovação.
A mobilização do governo busca fazer com que o Move Brasil cumpra sua finalidade de permitir que trabalhadores de aplicativos adquiram seus próprios veículos.
Para muitos motoristas que utilizam carros alugados, o financiamento representa a possibilidade de transformar uma despesa recorrente em pagamento pela aquisição de um patrimônio próprio.
A posição defendida por Lula é que essa substituição precisa ser considerada pelos bancos ao avaliar a capacidade financeira dos interessados.
Ao encarregar Boulos de ouvir trabalhadores que tiveram o crédito negado, o governo procura mapear as dificuldades concretas e identificar como as exigências das instituições financeiras estão afetando o funcionamento do programa.
A cobrança de Lula aos bancos coloca, assim, o acesso efetivo ao financiamento no centro da discussão sobre o Move Brasil: o governo já destinou R$ 1 bilhão em garantias para sustentar a iniciativa, mas avalia que os critérios utilizados pelas instituições financeiras ainda podem impedir que o crédito chegue aos trabalhadores de aplicativos.





