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76% dos argentinos sentem tristeza ou raiva do governo Milei, aponta pesquisa

O levantamento não avaliou diretamente a popularidade do presidente argentino. A proposta foi identificar os sentimentos despertados pelo governo, oferecendo uma leitura sobre o estado de ânimo da população para além dos índices tradicionais de aprovação.

76% dos argentinos sentem tristeza ou raiva do governo Milei, aponta pesquisa

Diante do descontentamento, Milei continua apostando no enfrentamento como método de governo. Desde a campanha eleitoral, o presidente dirige críticas à oposição, ao Congresso, à imprensa, aos governadores e a representantes de outros países.

Pesquisa da Hugo Haime Associados mostra que 76% dos argentinos ouvidos associam tristeza, desânimo ou raiva ao governo de Javier Milei. O resultado reflete um cenário marcado pela perda de poder de compra, pelo crédito caro e pelo consumo enfraquecido. As informações são da coluna de Sylvia Columbo na Folha de S.Paulo.

O levantamento não avaliou diretamente a popularidade do presidente argentino. A proposta foi identificar os sentimentos despertados pelo governo, oferecendo uma leitura sobre o estado de ânimo da população para além dos índices tradicionais de aprovação.

A redução do poder aquisitivo aparece como um dos principais fatores de insatisfação. Os salários ainda não recuperaram o terreno perdido, enquanto o custo do crédito continua elevado e o consumo permanece deprimido.

A inflação anual está em torno de 30%, depois de ter superado 60% no último ano do governo de Alberto Fernández. O índice atual, no entanto, permanece elevado, e a renda dos trabalhadores não apresentou uma recuperação equivalente.

A instabilidade também reforça o hábito de guardar dinheiro “no colchão”, comportamento que se consolidou na Argentina após sucessivos períodos de dificuldades econômicas.

Diante do descontentamento, Milei continua apostando no enfrentamento como método de governo. Desde a campanha eleitoral, o presidente dirige críticas à oposição, ao Congresso, à imprensa, aos governadores e a representantes de outros países.

A tensão mais recente envolveu o Brasil e levou ao afastamento do então embaixador brasileiro do cargo. Milei também protagonizou atritos com Espanha, Chile, Colômbia e China.

Parte dessas crises diplomáticas foi administrada com a atuação da ex-chanceler Diana Mondino. Os confrontos acabaram sendo acomodados, mas reforçaram o perfil combativo adotado pelo presidente argentino dentro e fora do país.

No levantamento realizado no ano anterior, a corrupção aparecia como a principal preocupação popular. O tema perdeu espaço durante o atual governo, enquanto a queda do poder de compra dos salários passou a ocupar posição central.

A pesquisa indica que o desempenho dos indicadores econômicos e a percepção da sociedade não avançam necessariamente no mesmo ritmo. Para a maioria dos entrevistados, os resultados defendidos pelo governo ainda não produziram mudanças concretas no cotidiano.