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Marqueteiro deixa campanha presidencial de Ronaldo Caiado

Vasconcelos deixou a campanha em um momento de divergências sobre os rumos da comunicação. A reportagem informou que procurou a equipe de Caiado, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.

Marqueteiro deixa campanha presidencial de Ronaldo Caiado

Com a saída de Vasconcelos, Marcos Carvalho, ex-estrategista digital de Flávio Bolsonaro, passará a comandar também a campanha presidencial de Caiado.

A campanha de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República passou por uma mudança importante nesta segunda-feira (17), com a saída do marqueteiro Paulo Vasconcelos. A decisão ocorre após semanas de alteração na estratégia eleitoral do ex-governador de Goiás, que passou a elevar o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário na corrida pelo Palácio do Planalto.

Segundo O Globo, Vasconcelos deixou a campanha em um momento de divergências sobre os rumos da comunicação. A reportagem informou que procurou a equipe de Caiado, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.

Com a saída de Vasconcelos, Marcos Carvalho, ex-estrategista digital de Flávio Bolsonaro, passará a comandar também a campanha presidencial de Caiado. Carvalho havia assumido as redes sociais do ex-governador em julho e, segundo o jornal, entrou em confronto com Vasconcelos nos bastidores.

A ascensão do estrategista coincide com uma alteração significativa no discurso eleitoral de Caiado. Inicialmente, a campanha adotava uma linha menos combativa, com maior ênfase na divulgação dos resultados de sua gestão à frente do governo de Goiás.

A mudança de rumo ocorreu apesar das posições de Vasconcelos e teve influência de Gracinha Caiado, mulher do candidato e primeira colocada nas pesquisas para o Senado em Goiás.

Ela alertou Caiado para o baixo desempenho de sua comunicação nas redes sociais. Foi nesse contexto que Marcos Carvalho assumiu a estratégia digital, em julho, antes de ampliar sua influência sobre a campanha.

A reorganização representa uma aposta em uma comunicação mais agressiva em um momento no qual o ex-governador tenta ampliar sua presença na disputa presidencial.

O endurecimento do discurso ficou evidente no fim de julho, quando Caiado chamou o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, de “Pateta da política brasileira”. A declaração ocorreu após a confirmação do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Caiado também criticou Flávio Bolsonaro por questionar as urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores. Segundo o ex-governador, o senador deveria, em vez disso, “vender soja, abrir mercado para a indústria, atrair investimento”.

Na quinta-feira (13), durante uma agenda de campanha, Caiado voltou a mirar diretamente Flávio e afirmou que o currículo do adversário se resumia à certidão de nascimento.

“Ninguém aprende a governar sentado na cadeira de presidente da República”, afirmou Caiado ao questionar a experiência de Flávio Bolsonaro no Poder Executivo.

A ofensiva contra o PL também marcou o lançamento da campanha de Caiado, realizado no domingo (16), em Goiás. No discurso, o ex-governador afirmou ser o único candidato capaz de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Caiado também voltou suas críticas ao partido de Flávio Bolsonaro.

“Eles estão desesperados. Todo dia é um problema e uma surpresinha”, disse. Em seguida, ampliou o ataque ao afirmar que “esse pessoal está apavorado. O único político com mandato no Brasil que é oposição ao PT e nunca votou no Lula é Ronaldo Caiado.”

As declarações ocorreram dias depois de o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmar que Caiado atuava como linha auxiliar de Lula.

A mudança de estratégia acontece enquanto Caiado e outros candidatos enfrentam dificuldades para crescer nas pesquisas de intenção de voto.

No levantamento Quaest citado por O Globo, o ex-governador aparecia com 4% das intenções de voto, numericamente empatado com Renan Santos (Missão), também com 4%.

Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) registravam 2% cada. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.