
“Se tem alguém nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando à noite porque precisava trabalhar”, afirmou Lula.
A biografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem a trajetória política mais identificada com a luta dos trabalhadores brasileiros, foi aviltada pelo candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante o debate presidencial promovido pela TV Globo, na noite de sexta-feira, 23.
No primeiro bloco do debate, Flávio Bolsonaro (PL) chamou Lula de “nove dedos” para tentar desqualificar o presidente. A ofensa foi respondida por Lula com indignação. O presidente lembrou que perdeu um dedo da mão esquerda aos 17 anos, em um acidente de trabalho, quando trabalhava à noite como metalúrgico para garantir o próprio sustento. Lula cobrou respeito aos milhões de brasileiros que vivem do trabalho.
“Se tem alguém nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando à noite porque precisava trabalhar”, afirmou Lula. Em seguida, dirigiu-se ao adversário: “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Nunca trabalhou na vida, não sabe o que é uma carteira profissional. […] Você vai ter que me pedir desculpas”.
Lula contou que precisava trabalhar para comer e criticou a irresponsabilidade de empregadores que expõem funcionários a riscos. “Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal”, declarou.
Flávio Bolsonaro também tratou Lula de forma desrespeitosa e preconceituosa em outros momentos. Disse que Lula não estava escutando, e, pouco depois, afirmou que não entendia o que o presidente falava. Em 2011, o presidente foi diagnosticado com um tumor na laringe, próximo às cordas vocais. Lula se curou do câncer.
Ou a democracia funcionando, ou um miliciano no poder
O presidente voltou a lembrar a sua trajetória nas considerações finais do debate, quando agradeceu aos brasileiros e pediu voto no 13 no domingo. Lula, que chamou Flávio Bolsonaro de “fanaticamente mentiroso”, disse que os brasileiros ouviram coisas que não mereciam.
“Olha, eu quero agradecer ao povo brasileiro a paciência e pedir desculpas por coisas que vocês viram aqui que não mereciam ouvir […] Agora, eu queria dizer para vocês que domingo é o dia decisivo para esse país. Domingo é o dia que vocês vão se dirigir à urna e vão escolher o país que vocês querem, o presidente que vocês querem […] Eu queria primeiro agradecer a vocês tudo o que vocês fizeram e pedir o voto de vocês no domingo, porque ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando esse país, tentando voltar pro Palácio do Planalto, o que não é bom para ninguém.”
Lula lembrou que é um homem com biografia, história. “Tenho uma luta junto com vocês há muito tempo: comecei a trabalhar com 12 anos de idade, vendi tapioca, vendi laranja, vendi amendoim, vendi sardinha, trabalhei de engraxate, torneiro mecânico, e virei presidente da República! E vocês sabem o que nós fizemos juntos”, afirmou.
Mentiras sobre o Nordeste e desprezo com vítimas da covid
Ao falar sobre o Nordeste, Flávio atribuiu ao pai, Jair Bolsonaro, a conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco. Lula rebateu a versão destacando os investimentos realizados pelo seu governo na região, incluindo a obra da Transposição, adutoras, universidades, institutos federais e indústrias. O presidente desafiou o adversário a dar exemplos de obras realizadas no Nordeste durante o governo Bolsonaro.
“Eu quero que o Nordeste seja tratado de igualdade de condições em qualquer outra região desse país, porque nós merecemos respeito”, declarou.
Em outra ocasião, Lula citou o descaso do governo durante a pandemia e lembrou a cena em que Jair Bolsonaro debocha de pessoas com falta de ar, evidenciando a falta de respeito com as mais de 700 mil vítimas. Flávio tentou explicar, dizendo que o vídeo tinha sido tirado de contexto, que teria uma interpretação diferente do episódio, mas não apagou a gravidade da crise sanitária vivida pela população amazonense.
Investimentos no agronegócio
Quando o assunto foi investimento no agronegócio, Lula falou sobre as ações de seu governo no setor, no financiamento à produção e no incentivo à compra de máquinas para a agricultura familiar.
“Eu duvido que em algum momento do governo do pai dele houve investimento no agronegócio como houve no meu governo”, afirmou o presidente, que também destacou o apoio à agricultura familiar.
Lula lembrou ainda a abertura de 700 novos mercados para os produtos do país e rebateu a postura de Flávio diante das ameaças de taxação dos Estados Unidos.
“Se o Trump não quer comprar do Brasil, eu vou vender em outros lugares”.
Valorização do salário mínimo
Durante o debate, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a política de valorização do salário mínimo do seu governo e afirmou que, se não estivesse na Presidência da República, o piso nacional seria de apenas R$ 900. Lula defendeu que o aumento do salário mínimo tem impacto direto na vida da população, especialmente dos trabalhadores e aposentados, e integra as medidas de melhoria das condições de vida dos brasileiros.
“Se não fosse o governo do PT aumentar o salário mínimo acima da inflação, o salário mínimo seria apenas R$ 900. É isso que eles querem pro Brasil”, concluiu.





