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Celso Amorim rebate Trump: “quem tentou fraudar a eleição foi a Meta”

Amorim classificou como contraditória a manifestação de Trump, que insinuou a existência de fraude na eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, na sequência, declarou manter uma boa relação com o brasileiro.

Celso Amorim rebate Trump: “quem tentou fraudar a eleição foi a Meta”

“Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, rebateu nesta segunda-feira (26) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição presidencial brasileira. Ao comentar as suspeitas levantadas pelo norte-americano, Amorim afirmou que a tentativa de interferência no processo eleitoral partiu da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e não do sistema de votação.

Em entrevista ao G1, Amorim classificou como contraditória a manifestação de Trump, que insinuou a existência de fraude na eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, na sequência, declarou manter uma boa relação com o brasileiro.

“Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou Amorim ao g1.

A declaração ocorre em meio à disputa judicial envolvendo a campanha de Lula e a gigante estadunidense de tecnologia. A equipe do presidente acionou a Justiça Eleitoral sob a acusação de que a Meta teria imposto obstáculos à circulação de conteúdos favoráveis ao petista, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

As declarações de Amorim foram uma resposta direta ao presidente estadunidense, que, mais cedo, havia sido questionado por jornalistas sobre a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição brasileira, realizado no domingo (25).

Trump colocou em dúvida a legitimidade da votação, embora não tenha apresentado evidências de irregularidades que comprometessem o resultado.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, o pleito brasileiro “pareceu mais uma eleição fraudada”.

Questionado sobre a possibilidade de adotar alguma medida diante do resultado, Trump afirmou que não governa o Brasil e destacou sua relação com Lula. Ao mesmo tempo, criticou a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.

“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”

A manifestação ocorreu um dia depois da confirmação da vitória de Lula e em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar judicialmente o resultado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro.

A diferença entre os dois candidatos chegou a aproximadamente 4,4 milhões de votos, consolidando uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: pela primeira vez, um candidato venceu o segundo turno depois de terminar a primeira etapa da disputa na segunda colocação.

Apesar da vantagem registrada nas urnas, Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhece o resultado e pretende recorrer à Justiça Eleitoral para solicitar a anulação da votação.

O principal argumento apresentado pelo candidato derrotado envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas.

Flávio Bolsonaro sustenta que a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores e alterado as condições da disputa durante o próprio processo eleitoral.

A ampliação do horário de votação ocorreu após representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro relatarem dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país.

A equipe do presidente apontou problemas no transporte público que teriam prejudicado o deslocamento até os locais de votação. O pedido apresentado à Justiça mencionava ocorrências em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do horário em municípios atingidos por chuvas intensas. Seus advogados relataram alagamentos, alterações nos locais de votação e obstáculos ao acesso dos eleitores às seções.

Ao analisar os pedidos, Zanin considerou a gravidade das situações apresentadas e a necessidade de uma resposta urgente para assegurar o exercício do direito ao voto.

Posteriormente, o ministro esclareceu que a autorização se aplicava exclusivamente às seções que ainda estavam abertas no momento da decisão, sem permitir a reabertura de locais onde a votação já havia sido encerrada.

Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que aproximadamente 35 mil pessoas votaram depois das 17h, apesar da autorização para o funcionamento excepcional de determinadas seções até as 19h.

O contingente corresponde a uma parcela pequena diante da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Mesmo na hipótese de todos os 35 mil votos terem sido destinados a um único candidato, o volume seria insuficiente para modificar o resultado da eleição presidencial.