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Em ato no Rio, Lula acusa Flávio Bolsonaro de desprezar a verdade e alerta para riscos à democracia

“Estamos chegando ao final de mais uma campanha. Uma campanha que, possivelmente, tenha sido a campanha feita por um adversário de mais baixo nível possível”, declarou o presidente a jornalistas, antes de iniciar a caminhada pela avenida Atlântica.

Em ato no Rio, Lula acusa Flávio Bolsonaro de desprezar a verdade e alerta para riscos à democracia

“Ele decora os textos, não tem nenhum compromisso com a verdade, com aquilo que fala. Ele diz sim e não com a mesma desfaçatez”, acrescentou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao adversário Flávio Bolsonaro (PL) neste sábado (24), durante uma caminhada de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na véspera do segundo turno da eleição presidencial, o petista classificou o senador como o concorrente de menor nível que já enfrentou e voltou a questionar sua postura diante da morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, atingida por um disparo atribuído a um policial militar defendido judicialmente pelo candidato do PL.

Segundo a Folha de S.Paulo, as declarações ocorreram na manhã seguinte ao último debate presidencial, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), quando os dois candidatos protagonizaram uma série de confrontos. Lula acusou Flávio de mentir sistematicamente e afirmou que sua experiência em disputas eleitorais nunca havia incluído um adversário com tamanho desprezo pela verdade.

“Estamos chegando ao final de mais uma campanha. Uma campanha que, possivelmente, tenha sido a campanha feita por um adversário de mais baixo nível possível”, declarou o presidente a jornalistas, antes de iniciar a caminhada pela avenida Atlântica.

Lula recordou disputas contra Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Collor para estabelecer uma comparação com o atual candidato do PL. Segundo ele, mesmo diante das divergências políticas anteriores, nunca havia enfrentado um concorrente com comportamento semelhante ao de Flávio.

“Ele decora os textos, não tem nenhum compromisso com a verdade, com aquilo que fala. Ele diz sim e não com a mesma desfaçatez”, acrescentou.

Um dos principais pontos das críticas do presidente foi a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo que matou Ana Clara Gomes Machado, em fevereiro de 2021, em Niterói, na região metropolitana do Rio.

A criança tinha cinco anos e brincava em frente à própria residência quando foi atingida. O episódio ganhou destaque na reta final da campanha presidencial e voltou a ser discutido no debate da Globo, acompanhado presencialmente pela mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, convidada pela equipe de Lula.

Neste sábado, Lula retomou o assunto e condenou a maneira como o senador tratou o caso, inclusive por ter se confundido ao mencionar o nome da mãe da criança.

“Vocês viram o cinismo dele ao falar da morte da menina Ana Clara? Vocês viram a desfaçatez? Errou o nome da mãe. Essa gente não presta”, afirmou o presidente.

A participação de Flávio na defesa judicial do policial tornou-se um dos principais pontos de confronto entre as campanhas na reta final do segundo turno. A acusação contra o militar foi apresentada pelo Ministério Público, mas a responsabilidade criminal pelo disparo ainda depende de decisão judicial.

Outro episódio que acirrou o confronto ocorreu durante o debate de sexta-feira, quando Flávio Bolsonaro utilizou a expressão “nove dedos” para se referir ao presidente.

Lula perdeu um dedo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, em um acidente de trabalho. A referência feita pelo senador à deficiência física do petista provocou uma reação imediata do presidente, que cobrou explicações do adversário.

Após a cobrança, Flávio pediu desculpas.

Na caminhada em Copacabana, Lula voltou a chamar o adversário de “miliciano” e afirmou que uma eventual vitória do candidato do PL representaria riscos para a democracia e para as liberdades no país.

Apesar da intensidade dos ataques ao adversário, Lula demonstrou confiança no resultado da votação de domingo (25), quando os brasileiros escolherão o próximo presidente da República.

“Eu estou dizendo para vocês, podem anotar: amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez”, declarou.

O presidente também agradeceu aos militantes e eleitores que participaram das atividades de campanha nas últimas semanas. Segundo Lula, a mobilização popular foi decisiva na reta final da disputa, com apoiadores assumindo a responsabilidade de ampliar a presença de sua candidatura nas ruas.

“A nossa arma é a urna e a nossa bala é o 13”, afirmou, em referência ao número do PT.

O ato reuniu uma multidão na avenida Atlântica, com concentração nas proximidades do Posto 5. Além das bandeiras vermelhas e dos símbolos tradicionais da campanha petista, parte dos manifestantes compareceu vestindo camisas da seleção brasileira.

Moradores acompanharam a passagem do presidente das janelas dos edifícios da orla. Outros apoiadores subiram em carros e árvores para conseguir enxergar Lula durante o deslocamento.

O presidente classificou a mobilização como, possivelmente, “a passeata política mais bonita da história de Copacabana” e ressaltou novamente a importância da participação feminina no processo eleitoral.

A passagem do presidente pela orla de Copacabana teve uma interrupção inesperada quando um pneu do veículo em que ele estava furou.

O incidente paralisou o deslocamento por aproximadamente 15 minutos, até que Lula pudesse trocar de carro. Enquanto aguardava, o presidente explicou a situação aos manifestantes e aproveitou para ironizar o adversário.

“Eu queria dizer para vocês que o pneu do nosso carro furou. Se fosse meu adversário, ele ia dizer que eu fui eu que furei”, brincou.

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, orientou os participantes a permanecerem em seus lugares durante a troca de veículo, como medida de segurança.

Depois do imprevisto, Lula voltou a demonstrar entusiasmo com a mobilização e com suas perspectivas eleitorais.

“Enquanto isso, gente, é muita música, muita alegria, porque eu estou com sabor de vitória na boca!”, declarou.

A caminhada ocorreu sob forte calor na capital fluminense. De acordo com o Sistema Alerta Rio, a temperatura máxima prevista para este sábado era de 34°C.

Alguns participantes passaram mal e precisaram de atendimento. A reportagem da Folha presenciou uma mulher sendo transportada em uma maca por bombeiros, enquanto a organização do trio elétrico interrompeu a música para solicitar assistência a outra pessoa no meio da multidão.

Ao longo do percurso, havia pontos de hidratação e vendedores ambulantes comercializando água.

A manifestação em Copacabana marcou o encerramento da campanha de Lula para o segundo turno. O presidente busca conquistar seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, em uma disputa contra Flávio Bolsonaro que chega à votação decisiva após uma sequência de debates, acusações e mobilizações de rua.