
Dois servidores municipais de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, admitiram à Polícia Federal (PF) que gravaram mensagens de áudio com ameaças de envenenar a água consumida pela comunidade indígena Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró.
Dois servidores municipais de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, admitiram à Polícia Federal (PF) que gravaram mensagens de áudio com ameaças de envenenar a água consumida pela comunidade indígena Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró. As gravações circularam em um grupo de WhatsApp após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.
Em uma das mensagens investigadas, um dos servidores defende explicitamente o envenenamento da água utilizada pelos indígenas. “Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”, afirma o funcionário no áudio divulgado pelo portal.
A gravação provocou denúncias de lideranças indígenas, que exigiram providências das autoridades e a responsabilização dos envolvidos. O conteúdo das mensagens passou a ser investigado pela Polícia Federal.
Além da investigação conduzida pela Polícia Federal, ambos respondem a processos administrativos disciplinares instaurados pela administração municipal.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou as medidas adotadas contra os servidores. Segundo ele, nenhum dos investigados exerce atividades diretamente relacionadas ao abastecimento de água da Aldeia Sassoró.
De acordo com a reportagem, os depoimentos prestados pelos servidores deixaram a investigação policial praticamente concluída. O caso, entretanto, permanece sob apuração da PF.
O episódio veio a público inicialmente em reportagem de Álvaro Luiz, publicada pelo Metrópoles na quarta-feira (28). O material revelou que os áudios foram compartilhados em um grupo de WhatsApp depois da confirmação da vitória de Lula no segundo turno.
As mensagens tinham como alvo os Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró e incluíam ameaças de envenenamento da água consumida pela comunidade.
A divulgação das gravações levou lideranças indígenas a denunciar o caso e cobrar a adoção de medidas contra os responsáveis.
A justificativa apresentada pelos servidores à Polícia Federal, de que estavam sob efeito de álcool, integra os depoimentos colhidos durante a investigação. A alegação não afasta, por si só, a possibilidade de responsabilização pelos fatos apurados.
As ameaças registradas em Tacuru ocorreram em um contexto de denúncias de violência e intimidação contra comunidades indígenas durante o período eleitoral.
Segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), citado em reportagem das jornalistas Thays Martins e Evellyn Paola, também do Metrópoles, foram contabilizadas mais de 30 denúncias de violência durante as eleições.
Diante da situação, o governo federal criou uma força-tarefa e enviou uma comitiva de ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar o cenário de violência contra os povos indígenas.





