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Justiça acaba com investigação contra Bolsonaro no caso Wal do Açaí

Na sentença, Mendes afirmou não haver “prova cabal de nomeação fictícia, de desvio de função para afazeres domésticos, de locupletamento ilícito e de lesão efetiva aos cofres públicos”. Para o magistrado, a ausência dessas provas impõe o encerramento dos pedidos...

Justiça acaba com investigação contra Bolsonaro no caso Wal do Açaí

O juiz federal Rodrigo Godoy Mendes, da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, decidiu na quinta (5) que não encontrou elementos suficientes para manter a ação.

A Justiça Federal de Brasília extinguiu a ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua ex-assessora Walderice Santos da Conceição, conhecida como Wal do Açaí, segundo a Folha de S.Paulo. O processo apurava a suspeita de manutenção de uma funcionária fantasma no gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O juiz federal Rodrigo Godoy Mendes, da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, decidiu na quinta (5) que não encontrou elementos suficientes para manter a ação. O Ministério Público Federal (MPF) ainda pode recorrer da decisão.

O juiz também avaliou que cargos comissionados vinculados a deputados não exigem trabalho exclusivamente na sede do Parlamento, em Brasília. Assim, a atuação de uma assessora no estado de representação do parlamentar não caracteriza, por si só, irregularidade.

Loja da Wal do Açaí, em Angra dos Reis (RJ). Foto: Folhapress

O Ministério Público Federal sustentava que Wal ocupou o cargo de secretária parlamentar entre fevereiro de 2003 e agosto de 2018 sem exercer funções para a Câmara. O órgão pediu o ressarcimento de R$ 280.273,44, valor que atribuiu a prejuízo aos cofres públicos.

Mendes escreveu que os autos não demonstraram repasses da remuneração de Wal a Bolsonaro, apropriação indevida de dinheiro ou divisão ilícita dos salários. Ele considerou que os saques em espécie relatados no processo poderiam atender a despesas cotidianas em uma comunidade sem estrutura bancária presencial.

As suspeitas vieram a público em 2018, quando Wal trabalhava em um comércio de açaí na Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), próxima à casa de veraneio de Bolsonaro. Registros da Câmara apontavam 26 mudanças de cargo no gabinete ao longo de 15 anos, incluindo promoções em 2011 e 2012.

Moradores da região disseram à época que Wal prestava serviços particulares na residência de Bolsonaro e que seu marido, Edenilson, trabalhava como caseiro no local. Questionado sobre as tarefas da então assessora, Bolsonaro respondeu: “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”.