
Alfredo Gaspar é alvo de uma notícia de fato protocolada na Polícia Federal pelos parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), com pedido de sigilo.
O deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto (União-AL) — relator da CPMI do INSS — é alvo de uma notícia de fato protocolada nesta sexta-feira (27) na Polícia Federal pelos parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), com pedido de sigilo. O documento aponta indícios, em tese, da prática de estupro de vulnerável e fraude processual pelo deputado, relatando violência sexual contra uma menina de 13 anos, da qual teria resultado uma gravidez e o nascimento de uma criança, além de atuação posterior para impedir que o caso chegasse ao conhecimento das autoridades.
As informações que embasam esta matéria têm como fonte o próprio documento protocolado pelos parlamentares junto à Polícia Federal. A peça descreve um esquema concreto de possível compra de silêncio e ocultação do crime. Segundo os elementos reunidos pelos noticiantes, um intermediário teria participado de negociações com Alfredo Gaspar e/ou com terceiros atuando em seu nome para blindar o caso do alcance da polícia e do Judiciário. Os registros indicam um pagamento já efetuado de R$ 70 mil e tratativas em andamento no valor de R$ 400 mil para garantir o silêncio da vítima e assegurar a impunidade.

O episódio se insere em um contexto nacional marcado por debates acalorados sobre a proteção legal de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Recentemente, o país acompanhou um caso em Minas Gerais no qual o Tribunal de Justiça estadual relativizou o crime de estupro de vulnerável praticado contra uma menina de 12 anos, invocando suposto vínculo afetivo e consentimento como atenuantes. A decisão precisou ser revertida diante da repercussão pública e da reação institucional.
O caso adquire contornos ainda mais graves diante de uma declaração pública atribuída ao próprio Alfredo Gaspar, na qual ele teria afirmado que “já estuprou bandidos”. A frase, reproduzida no documento protocolado pelos parlamentares, é tratada como evidência de uma postura incompatível com o exercício de qualquer função de autoridade, relatoria ou comando no Parlamento.
Para os noticiantes, quem banaliza o estupro como recurso retórico ou demonstração de força não reúne condições éticas nem políticas para conduzir uma investigação parlamentar — e muito menos para se apresentar como guardião da moralidade pública. Diante dos indícios levantados, a declaração ganha dimensão ainda mais perturbadora e reforça, segundo os parlamentares, a necessidade de uma apuração rigorosa e sem qualquer tipo de blindagem política.






