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Desembargadora é alvo de racismo em supermercado: “Sem a toga, sou mais um corpo preto”

Em dezembro de 2023, Carruesco foi empossada como presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região para o biênio 2024/2025, tornando-se a segunda mulher negra a ocupar a presidência do tribunal e a primeira de carreira na magistratura.

Desembargadora é alvo de racismo em supermercado: “Sem a toga, sou mais um corpo preto”

“Caminhando entre as gôndolas, fui abordada insistentemente por uma senhora que queria informações sobre produtos e sobre a localização dos produtos. Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la”, desabafou.

A desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, relatou nas redes sociais um caso de racismo em um supermercado de Cuiabá (MT) no último domingo (17).

Segundo a magistrada, depois de sua caminhada matinal, foi abordada por uma cliente que insistia em pedir informações sobre produtos, presumindo que ela fosse funcionária do supermercado.

“Caminhando entre as gôndolas, fui abordada insistentemente por uma senhora que queria informações sobre produtos e sobre a localização dos produtos. Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la”, desabafou.

Adenir destacou que o comportamento da cliente reflete a lógica internalizada pelo senso comum brasileiro: “Ela agiu pela lógica. A lógica que o senso comum brasileiro internalizou: o lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder”, afirmou.

“O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada um domingo de cada vez”, concluiu ela.

Natural de Santa Cruz de Monte Castelo, no Paraná, Adenir Alves da Silva Carruesco nasceu em 19 de fevereiro de 1965, filha de pais analfabetos que trabalhavam nas lavouras de café. Ela tomou posse como desembargadora em dezembro de 2021, mudando-se para Cuiabá para atuar no cargo.