
Pré-candidato à reeleição, Tarcísio disse ter mudado de posição ao reconhecer que concentrar a operação de várias linhas nas mãos de poucas empresas privadas pode comprometer a qualidade do serviço prestado à população.
A promessa de eficiência da privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, defendida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), desmoronou na manhã desta quinta-feira (23). Apenas três dias após a concessionária Trívia Trens assumir integralmente a operação, uma explosão em uma composição da Linha 12-Safira interrompeu a circulação dos trens e mergulhou milhares de passageiros em mais um dia de caos.
É o terceiro dia consecutivo de falhas desde que a gestão das linhas deixou as mãos da CPTM e passou para a iniciativa privada, expondo as dificuldades da concessionária e colocando em xeque o principal argumento do governo paulista para justificar a privatização: a promessa de um serviço mais eficiente.
A Linha 11-Coral passou a operar parcialmente, entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, enquanto a Linha 12-Safira, a Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto tiveram a circulação interrompida.
Depois de fazer das privatizações uma das principais marcas de seu governo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou no último dia 30 que não pretende conceder novas linhas do Metrô à iniciativa privada.
Pré-candidato à reeleição, Tarcísio disse ter mudado de posição ao reconhecer que concentrar a operação de várias linhas nas mãos de poucas empresas privadas pode comprometer a qualidade do serviço prestado à população.
“A capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. Não é aquele negócio de ‘eu preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando’. Não é isso. É como eventualmente eu posso ter mais investimentos e melhores serviços. O Metrô está operando muito bem e hoje a tendência é que ele continue operando essas linhas. Até porque, você não pode correr o risco de ter muitas linhas operadas por poucos operadores privados”, afirmou.
As cenas registradas durante a manhã evidenciaram o tamanho da crise. Após a interrupção da circulação, passageiros precisaram abandonar os trens e caminhar pelos trilhos, em meio à escuridão, iluminando o caminho com lanternas de celulares. Em alguns trechos, funcionários acompanharam a evacuação; em outros, policiais militares precisaram ajudar os usuários a deixar a via férrea de forma improvisada.
Os problemas não são um episódio isolado. Desde que assumiu oficialmente a operação na terça-feira (21), a Trívia Trens acumula falhas praticamente diárias.
Na quarta-feira (22), passageiros enfrentaram atrasos nas linhas 11-Coral e 12-Safira. Plataformas lotadas, escadas rolantes paradas e lentidão marcaram mais um dia de transtornos. Na Linha 12, uma ocorrência iniciada às 8h52 só foi completamente resolvida durante a madrugada desta quinta-feira.
A Trívia Trens assumiu definitivamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto após um período de 60 dias de operação assistida, quando ainda contava com supervisão da CPTM.
A concessionária, controlada pelo grupo Comporte Participações, venceu o leilão promovido pelo governo Tarcísio de Freitas com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões ao longo dos 25 anos de contrato, ampliar a capacidade do sistema, reformar estações, construir novas estruturas e reduzir o intervalo entre os trens.
Na prática, porém, os primeiros dias da concessão foram marcados por panes sucessivas, interrupções na circulação e passageiros submetidos a longos atrasos e situações de risco.
Dados recentes apontam ainda que, entre junho e julho, a Linha 12 registrou pelo menos 11 falhas operacionais, um aumento de 275% nas ocorrências.





