
“O FGC e até presidentes de bancos alertaram para o caso. O próprio Vorcaro foi recebido 24 vezes no BC quando Campos Neto era presidente”, afirmou.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), criticou nesta terça-feira (24) a postura do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no caso envolvendo o Banco Master. Em publicação nas redes sociais, ela classificou como “desculpas esfarrapadas” as explicações dadas pelo ex-dirigente sobre sua atuação diante das irregularidades investigadas.
As declarações foram feitas em postagem pública, na qual a ministra cita informações oficiais do próprio Banco Central enviadas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo Gleisi, os dados indicam que Campos Neto foi alertado previamente sobre a situação da instituição financeira, mas não teria adotado as medidas necessárias.
A ministra também destacou que os alertas teriam partido de diferentes agentes do sistema financeiro. “O FGC e até presidentes de bancos alertaram para o caso. O próprio Vorcaro foi recebido 24 vezes no BC quando Campos Neto era presidente”, afirmou.
Ela ainda reagiu à declaração de Campos Neto ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o ex-presidente do Banco Central teria afirmado que a cúpula da instituição não tinha responsabilidade sobre o caso. “E agora me vem o senhor Campos Neto dizer ao Estadão que a cúpula do BC não tinha responsabilidade sobre o assunto. Respeite ao menos a inteligência alheia”, escreveu.
Na avaliação da ministra, o foco deveria estar em esclarecer os fatos ocorridos durante a gestão do ex-dirigente. “Ao invés de apresentar desculpas esfarrapadas, deveria explicar porque a fraude foi tão longe em sua gestão no BC”, concluiu.
Paralelamente às críticas, a Polícia Federal conduz investigação para apurar o papel de Roberto Campos Neto nos processos que autorizaram operações envolvendo o Banco Master. O inquérito busca esclarecer se houve falhas ou omissões no acompanhamento das atividades da instituição financeira.
Os investigadores também trabalham para reconstruir a cadeia de decisões dentro do Banco Central durante o período em que Campos Neto esteve à frente da instituição, entre 2019 e 2024, quando foi indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL).





