
A guerra vencida por Lula é radicalmente diferente das guerras que ocupam o ideário de Donald Trump.
“O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.” Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960).
Carolina Maria de Jesus resumiu, há mais de seis décadas, uma verdade que a história brasileira acaba de confirmar. O relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), produzido por FAO, FIDA, UNICEF, PMA e OMS, certifica que o Brasil alcançou o menor patamar de insegurança alimentar severa de sua história recente e permanece fora do Mapa da Fome.
Os números são impactantes. A proporção de brasileiros em insegurança alimentar severa caiu para apenas 0,6%. Entre 2023 e 2025, período do atual mandato de Lula, 16,7 milhões de pessoas deixaram essa condição. Ao mesmo tempo, o país manteve abaixo de 2,5% a prevalência de subnutrição, indicador que a FAO utiliza para definir quais países permanecem no Mapa da Fome. Também ficou abaixo da média regional o custo de uma alimentação saudável: US$ PPC 4,89 por pessoa ao dia, contra US$ 4,94 na América do Sul.
A guerra vencida por Lula é radicalmente diferente das guerras que ocupam o ideário de Donald Trump. Enquanto o presidente estadunidense concentra seu discurso em criar guerras com países soberanos, impor tarifas, confrontos comerciais e demonstrações de força geopolítica, Lula trava uma batalha cujo objetivo é devolver dignidade às pessoas. Sua vitória não se mede por territórios conquistados, mas por brasileiros que voltaram a fazer três refeições por dia.
O contraste com o governo Jair Bolsonaro permanece incontornável. O Brasil assistiu, durante aqueles anos, ao retorno ao Mapa da Fome e à imagem que talvez tenha sintetizado aquele período: as humilhantes filas do osso, em que famílias disputavam restos de açougues para conseguir se alimentar. Aquelas cenas correram o mundo e simbolizaram um país que havia abandonado milhões de cidadãos à própria sorte.
O relatório da ONU demonstra que esse ciclo foi revertido. A melhora ocorreu em um ambiente de crescimento econômico contínuo, com expansão do PIB entre 2023 e 2025, desemprego reduzido para 5,6%, aumento da renda média das famílias e inflação dos alimentos mantida sob controle. Não há combate sustentável à fome sem renda, emprego e políticas públicas articuladas. Foi justamente essa combinação que produziu os resultados agora reconhecidos internacionalmente.





