O vice-presidente Geraldo Alckmin visitou nesta sexta-feira (24), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as instalações da Avibras Aeroco em Jacareí (SP). Durante a agenda, ele atribuiu a retomada da fabricante à parceria entre o governo e o setor privado, destacou a recuperação de 480 empregos e apontou perspectivas de crescimento para a indústria nacional de defesa.
“A reabertura da empresa permitiu recontratar 480 colaboradores e a tendência dela é de crescer”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também chamou a atenção para a experiência dos profissionais que permaneceram ligados à companhia durante o período de crise. Segundo ele, a Avibras reúne trabalhadores com décadas de atuação na empresa e conhecimento especializado em projetos tecnológicos e militares.
A recuperação da unidade de Jacareí poderá permitir a reabertura de outra fábrica da Avibras localizada em Lorena, também no interior paulista. A instalação produz insumos utilizados nos combustíveis de foguetes, mísseis e lançadores.
Segundo Alckmin, a retomada dessa unidade ampliaria a cadeia produtiva da companhia e reforçaria a capacidade brasileira de fabricar componentes estratégicos. O vice-presidente classificou a Avibras como uma indústria essencial para a autonomia tecnológica e militar do país.
“Então, uma indústria estratégica. O Brasil, produtos de defesa em 2022, exportou US$ 600 milhões. O ano passado, US$ 3,4 bilhões. Aumentou cinco vezes a exportação brasileira”, afirmou.
Na avaliação do vice-presidente, a Avibras poderá aproveitar essa expansão para recuperar sua capacidade produtiva e conquistar novos contratos. Ele também associou o fortalecimento da indústria de defesa ao desenvolvimento econômico e à soberania nacional.
“Com tecnologia, capacidade de persuasão. Isso é importantíssimo para o país, para o desenvolvimento do Brasil”, declarou.
Ao responder sobre a previsibilidade orçamentária dos programas de defesa, Alckmin afirmou que Lula autorizou R$ 30 bilhões para equipar as Forças Armadas. Os recursos deverão ser liberados anualmente para projetos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Entre os projetos mencionados estão a construção de novos submarinos para a Marinha, o desenvolvimento de sistemas de mísseis e foguetes para o Exército e a produção dos caças Gripen no Brasil, por meio da parceria entre a Embraer e a fabricante sueca Saab.
“Nós estamos hoje produzindo o primeiro avião supersônico no Brasil, o Gripen, numa associação Embraer com a Saab sueca”, afirmou Alckmin.
O vice-presidente explicou que a liberação anual dos recursos busca assegurar continuidade aos projetos militares. A previsibilidade orçamentária é uma das principais reivindicações da base industrial de defesa, porque permite às empresas planejar investimentos, preservar equipes especializadas e cumprir contratos de longo prazo.
O vice-presidente destacou o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) na retomada da indústria de defesa.
“E aí foi importante o BNDES na retomada do crédito do PROEX para poder financiar as exportações dos produtos da indústria de defesa”, declarou.
O financiamento é considerado necessário porque as exportações de equipamentos militares envolvem prazos extensos, valores elevados e concorrência com fabricantes internacionais que contam com apoio de seus respectivos governos.
Para Alckmin, a atuação do Estado deve garantir crédito, previsibilidade e condições para que as empresas privadas desenvolvam tecnologia e ampliem sua presença no mercado internacional.
“O governo não tem que ser dono de empresa, ele precisa ser parceiro. Ele precisa ter previsibilidade, ele precisa apoiar o setor privado, especialmente em momentos mais difíceis”, afirmou.
Alckmin ressaltou que a retomada da Avibras não envolveu a estatização da companhia. O vice-presidente defendeu a participação da iniciativa privada e a manutenção do capital nacional em empresas consideradas estratégicas.
“Aqui está um bom exemplo de uma indústria que reabriu, depois de quatro anos, uma indústria estratégica, capital nacional, privada e com tudo para poder crescer”, disse.
Ao ser questionado sobre uma possível venda da Acaer, empresa brasileira do setor aeronáutico, para um grupo árabe, Alckmin evitou antecipar uma posição e afirmou que consultaria o Ministério da Defesa.
“Olha, vou verificar, isso é da área do Ministério da Defesa, mas verificar”, respondeu.
A preocupação com operações envolvendo empresas da base industrial de defesa está relacionada ao controle de tecnologias sensíveis, ao domínio de projetos militares e à preservação da capacidade produtiva nacional.
Durante a entrevista, Alckmin também abordou medidas comerciais que atingem o Brasil e outros países. Ele defendeu que o governo brasileiro permaneça na mesa de negociação e apresente seus argumentos contra as restrições.
“O que depender de nós é continuar na mesa de negociação, explicitar que é injusto e descabido”, declarou.
Segundo o vice-presidente, o governo autorizou R$ 18,5 bilhões para apoiar os setores afetados. O pacote inclui linhas de crédito para capital de giro, aquisição de bens de capital e realização de investimentos.
“Então já foi autorizado 18,5 bilhões para apoiar os setores afetados, crédito para capital de giro, para bens de capital, para investimento e a outra é buscar novos mercados”, afirmou.
Além das negociações, a estratégia do governo inclui a diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Alckmin citou o recorde de US$ 349 bilhões em vendas externas registrado em 2025 e informou que o país exportou US$ 184 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, também o maior resultado para o período.
O vice-presidente afirmou que o governo pretende manter aberto o diálogo com os Estados Unidos, proteger os empregos nos segmentos atingidos e ajudar as empresas brasileiras a buscar compradores em outros mercados.
Ao fim da declaração, Alckmin anunciou que bancos públicos e privados começaram nesta sexta-feira (24) a oferecer financiamentos pelo Move Agrícola. O programa é voltado à compra de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas, com juros de 9% ao ano.
“Então, o move agrícola, com juros de 9% ao ano, isso vai melhorar a produtividade do setor rural, fazendo o Brasil produzir mais, reduzindo o preço de alimento e exportando mais”, afirmou.





