
“É decepcionante. O ritmo de queda da taxa de juros é absolutamente decepcionante”, afirmou Boulos.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Guilherme Boulos, criticou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e afirmou nesta sexta-feira (4) que a queda dos juros no Brasil ocorre em ritmo lento, em prejuízo ao crescimento econômico. A entrevista foi concedida ao jornal O Estado de S.Paulo.
“É decepcionante. O ritmo de queda da taxa de juros é absolutamente decepcionante”, afirmou Boulos.
De acordo com o secretário, Lula esperava uma política mais clara de redução dos juros quando indicou Galípolo para o Banco Central. Para Boulos, a autonomia aprovada durante o governo de Jair Bolsonaro criou um problema democrático ao limitar a influência do governo eleito sobre uma área central da economia.
O secretário questionou o peso político de uma autoridade monetária sem voto popular direto. “Quantos votos tem o presidente do Banco Central? Nunca vi o nome dele na urna. Um de quem teve 60 milhões de votos.”
Juros e democracia
Na entrevista, Boulos relacionou a política monetária à legitimidade democrática. Ele afirmou que o presidente eleito, por ter recebido a confiança da maioria dos eleitores, deveria ter capacidade de incidir sobre decisões econômicas estratégicas.
“Então veja, se quem teve 60 milhões de votos, se quem teve a confiança do povo brasileiro para definir a economia, não puder ter nenhum tipo de incidência na taxa de juros…”, declarou.
Ao ser questionado se a avaliação sobre Galípolo era compartilhada por outros integrantes do governo ou da campanha, Boulos afirmou que falava em nome próprio e destacou que a opinião mais importante seria a de Lula.
“Para o presidente Lula, que é a opinião mais importante. Eu falo por mim. A minha percepção é que o nível de manutenção por um período, depois de queda a ritmo de tartaruga dos juros no Brasil, é bastante decepcionante.”
Crítica mira ritmo de queda
A avaliação de Boulos concentra-se no ritmo de redução da taxa de juros. Para ele, a manutenção dos juros em patamar elevado por longo período, seguida de cortes lentos, limita a capacidade de expansão da economia.
O deputado também reforçou a crítica à autonomia do Banco Central ao defender que decisões sobre juros não fiquem dissociadas do projeto econômico escolhido nas urnas.





