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Trio de “Ainda Estou Aqui” não assina carta do cinema contra extrema-direita

A ausência chama atenção porque trata-se de artistas com posições de esquerda notórias. Fernanda já havia enfrentado a reação da extrema-direita após protagonizar uma campanha das Havaianas no fim de 2025. No comercial, ela dizia que não queria que ninguém...

Trio de “Ainda Estou Aqui” não assina carta do cinema contra extrema-direita

A carta agora assinada por Moura e outros artistas aponta preocupações com possíveis interferências estrangeiras, suspeitas de pagamentos a eleitores e propostas de Flávio Bolsonaro, incluindo a promessa de reescrever a Constituição de 1988 e conceder anistia ao pai como primeiro ato de governo.

Wagner Moura, Fernando Meirelles, Petra Costa, Kleber Mendonça Filho e outros profissionais brasileiros do cinema assinaram uma carta aberta pedindo “atenção internacional rigorosa” para o segundo turno da eleição presidencial. Os três nomes principais de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025, ficaram de fora: o diretor Walter Salles e os atores Fernanda Torres e Selton Mello. Até agora, não há explicação pública conhecida.

A ausência chama atenção porque trata-se de artistas com posições de esquerda notórias. Fernanda já havia enfrentado a reação da extrema-direita após protagonizar uma campanha das Havaianas no fim de 2025. No comercial, ela dizia que não queria que ninguém começasse 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”. Bolsonaristas interpretaram a frase como provocação contra a direita e defenderam boicote à marca.

Ela também participou de um ato no Rio de Janeiro contra o PL da Dosimetria, proposta criticada por manifestantes por beneficiar Jair Bolsonaro. “Nós ainda estamos aqui pelas florestas brasileiras, pelos direitos da mulher, pela democracia”, afirmou a atriz durante a manifestação.

Walter Salles, por sua vez, afirmou em fevereiro de 2025 que “Ainda Estou Aqui” não poderia ter sido realizado durante o governo Bolsonaro, período em que, segundo ele, o país havia se voltado para a extrema-direita. O diretor declarou que o filme foi possível graças ao retorno da democracia e à volta de Lula à Presidência.

A carta agora assinada por Moura e outros artistas aponta preocupações com possíveis interferências estrangeiras, suspeitas de pagamentos a eleitores e propostas de Flávio Bolsonaro, incluindo a promessa de reescrever a Constituição de 1988 e conceder anistia ao pai como primeiro ato de governo. Os signatários também criticam o que consideram uma normalização, pela mídia tradicional, das acusações contra a família Bolsonaro.

Entre os episódios mencionados está uma reportagem do jornal britânico The Guardian segundo a qual o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, por meio de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.

Sônia Braga, Anna Muylaert, diretora de “Que Horas Ela Volta?”, Gabriel Mascaro e Karim Aïnouz também são signatários.  Selton Mello foi cobrado pelo ator José de Abreu nas redes. Abreu questionou como alguém que protagonizou um filme sobre a ditadura militar poderia permanecer em silêncio diante do que ele classificou como avanço do fascismo.