
Marcelo Corbage desmentiu que se tratava de uma estratégia planejada para “empurrar” os criminosos para a mata, como declarou publicamente o governador Cláudio Castro (PL).
O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que os confrontos que deixaram 121 mortos durante a megaoperação realizada em 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha foram resultado de uma emboscada armada pelo Comando Vermelho (CV).
Marcelo Corbage desmentiu que se tratava de uma estratégia planejada para “empurrar” os criminosos para a mata, como declarou publicamente o governador Cláudio Castro (PL).
Segundo Corbage, imagens aéreas analisadas pelo Bope mostram que grupos armados do CV se deslocaram deliberadamente para a área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, de forma organizada, com equipamentos de camuflagem e formação tática semelhante à de tropas militares.
“A intenção era preparar uma armadilha”, disse o oficial, destacando que os traficantes já haviam se instalado em estruturas fortificadas, verdadeiros bunkers, antes da chegada das equipes, o que contradiz a versão do governo de que o “Muro do Bope” havia sido montado previamente para conter a fuga dos criminosos.
O depoimento, enviado pelo MPRJ ao Supremo Tribunal Federal, mostra que a operação sofreu uma mudança brusca de rumo após policiais civis que atuavam na linha de frente serem surpreendidos e atingidos.
A partir dali, afirma Corbage, a ação “deixou de ser uma operação para cumprimento de mandados e se tornou uma operação de resgate”.
O comandante relatou que o grupo criminoso agiu de forma inédita, resistiu ao confronto, sustentou o fogo e não recuou, comportamento incomum nos confrontos anteriores com a polícia.
“A agressividade demonstrada fugiu a todos os padrões. Eles adotaram uma estratégia que nunca tínhamos visto”, afirmou.





