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Na Globo, Gilmar cobra “autocrítica” da emissora por evento bancado por Vorcaro e pela Lava Jato

Sobre Master, eu acho que há um grave problema que envolveu o Banco Central, envolveu o CVM, talvez esse crescimento tecnológico, com fundos e fintechs e coisas do tipo, eu ainda estou aguardando várias explicações para isso. Mas não acho que...

Na Globo, Gilmar cobra “autocrítica” da emissora por evento bancado por Vorcaro e pela Lava Jato

Várias empresas fizeram anúncios e divulgaram anúncios do Master. Daniel Vocaro era keynote speaker de vários seminários de várias instituições de imprensa. Agora, ter contato com o Vocaro virou algo satânico. Vamos olhar isso de uma forma crítica e madura.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma entrevista a Renata Lo Prete, do Jornal da Globo, abordando diversos temas sensíveis e polêmicos que envolvem o cenário político-jurídico brasileiro. Foi na madrugada de quinta (23).

Viralizaram as provocações de Gilmar ao pateta Romeu Zema, mas o ponto central foi o Banco Master. Renata falou das denúncias envolvendo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e a cobrança por um código de conduta. A popularidade do Supremo está no chão. O horror, o horror.

 Fez o papel costumeiro de impoluta, dona das virtudes e da moral, fingindo esquecer onde trabalha — e que, do outro lado, estava Gilmar, que conhece bem a Globo. Lembrou do conluio da mídia com a Lava Jato e do evento patrocinado por Daniel Vorcaro em Nova York, em que ex-banqueiro foi a estrela da festa. Sutilmente, mas o suficiente para ela mudar de assunto.

Até hoje não se sabe quanto custou a pajelança. Nem a emissora vai contar. Vorcaro saudou jornalistas e executivos da Globo como “amigos”. Gilmar fez menção, sem citar nomes, à dobradinha Luciano Huck-Vorcaro. Huck foi garoto-propaganda do Will Bank, braço digital do Master — e que o apresentador tentou comprar, depois.

Elegantemente, Gilmar Mendes fez picadinho da demagogia da interlocutora. Ao final, ela cobrou uma “autocrítica” da Corte. Pois é. A Globo subestima a inteligência do público ao tentar se desvencilhar de um antigo parceiro, Daniel Vorcaro, como se nunca o tivesse conhecido. Gilmar Mendes pode ser qualquer coisa, menos bobo.

Vou destacar trechos aqui. O vídeo completo está no fim deste artigo:

Renata Lo Prete

Neste momento em que avançam as tratativas para uma possível delação de Vocaro, o ministro Alexandre tirou da gaveta uma ação apresentada em 2021 pelo PT, questionando as atuais regras para colaborações premiadas. Eu não vou perguntar, claro, como é que o senhor pretende votar nessa matéria, isso é uma questão futura. Eu foco numa questão anterior. A coincidência temporal entre as duas coisas não é ruim para a imagem do STF? Não é natural que as pessoas vejam, no resgate dessa ação, uma tentativa de evitar ou pelo menos de reduzir o dano de uma delação do Vocaro?

Renata, no passado a gente dizia que nós tínhamos 150 ou 180 milhões de técnicos de futebol. Agora nós temos 180 ou 200 milhões de juristas, todos palpitando sobre coisas do Supremo, sobre impedimento, suspeição. Nós temos uma série de processos aqui, milhares de processos no gabinete. Por que um processo é pautado e não outro, eu não sei dizer, até porque eu só respondo pelo meu gabinete. Mas eu acho que esse tipo de ilação, em princípio, é indevida. Há muito tempo nós estamos discutindo a questão da delação. Vocês acompanharam de perto e participaram da Lava Jato. Vocês sabem o que aconteceu em Curitiba, como se manipulou delação. Todos nós sabemos disso. Vaza Jato revelou isto. Nós sabemos, portanto, que a delação precisa de aperfeiçoamento.

Renata Lo Prete

Eu lhe pergunto uma pergunta final (sic). O senhor não acha que cabe nenhuma autocrítica em relação às descobertas que o público fez recentemente em relação à conduta de ministros do tribunal? Tudo o senhor coloca na moldura de uma crise mais generalizada ou o senhor acha que cabe alguma autocrítica, alguma correção de rumo, ministro?

Gilmar Mendes

Vamos discutir isso. Agora, autocrítica, como você bem coloca, é autocrítica, é crítica interna, inclusive. Nós devemos fazer esse tipo de avaliação, inclusive, para fins de eventual correção de regimento ou novas orientações. Fizemos isso ao longo de toda a vida, por isso essa instituição é duradoura, eu mesmo sou defensor daquilo que chamo sempre fuga para frente. É fundamental que isso seja feito. Espero que também a imprensa faça a sua autocrítica. A imprensa, por exemplo, apoiou a Lava Jato. Não escutei depois autocrítica em relação à Lava Jato.

Sobre Master, eu acho que há um grave problema que envolveu o Banco Central, envolveu o CVM, talvez esse crescimento tecnológico, com fundos e fintechs e coisas do tipo, eu ainda estou aguardando várias explicações para isso. Mas não acho que seja um escândalo do Supremo Tribunal Federal. Vários bancos venderam essas CDBs do Banco Master, fizeram lucros com isso. Várias empresas fizeram anúncios e divulgaram anúncios do Master. Daniel Vocaro era keynote speaker de vários seminários de várias instituições de imprensa. Agora, ter contato com o Vocaro virou algo satânico. Vamos olhar isso de uma forma crítica e madura. É preciso ter adultos na sala.