
“Já tive a oportunidade de dizer que o governo Zema só governou Minas Gerais porque obteve liminares aqui no Supremo que o deixaram sem pagar a dívida para com a União por 22 meses”, afirmou.
A fala ocorreu depois de a jornalista lembrar que, mesmo entre quem já reconheceu a importância do inquérito no período de maior ataque à democracia, há quem considere que, após sete anos, ele teria se transformado “só uma arma poderosa nas mãos do relator, ministro Alexandre”. Diante da pergunta sobre “para quê e para quem manter isso aberto”, Gilmar respondeu: “É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado”.
Na mesma resposta, o ministro citou o relatório da CPI do Crime Organizado e voltou a atacar o senador Alessandro Vieira, relator do colegiado. “Veja, por exemplo, a coragem — eu diria a covardia — do relator da CPI do crime organizado de atacar a corte e pedir o tratamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crimes. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta”, declarou. Em seguida, afirmou que a abertura do procedimento foi acertada e defendeu sua manutenção “pelo menos até as eleições”.
Gilmar também estar “chocado” com o parecer de Vieira, que chegou a pedir o indiciamento dele, de Alexandre de Moraes, de Dias Toffoli e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. “No meu caso, por ter dado um habeas corpus. Só isso. E isso vira uma causa para indiciamento. (…) É extremamente grave”, afirmou.
“O Tribunal tem sido vilipendiado. Veja a covardia do relator da CPI de atacar a Corte. Isso não pode ser deixado assim. É preciso que haja resposta”, disse.
Na segunda-feira (20), Gilmar enviou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra Zema para que ele seja investigado no inquérito das fake news. O caso envolve o segundo episódio da série “Os Intocáveis”, divulgado pelo bolsonarista mineiro e feito por inteligência artificial. O procedimento já foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e segue sob sigilo.
Ao comentar o episódio, Gilmar afirmou que agentes públicos precisam agir com responsabilidade. “Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira”, disse. Em seguida, reforçou a crítica ao conteúdo das publicações de Zema. “Ele [Zema] fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva e isso precisa ser aferido”, declarou.
“Estou só chamando a atenção para o fato de que as pessoas vêm ao Tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta”, disse.
Sobre o Banco Master, Gilmar tentou afastar o foco do Supremo e afirmou que o caso “não é um escândalo do STF”. “A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Se eu fosse buscar o endereço do caso Vorcaro, eu veria ele na Faria Lima”, disse.





