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Mendonça rejeita pecha de “traidor”, diz que seguirá a lei e não dará tratamento diferenciado a Flávio Bolsonaro

Durante as articulações para a escolha do novo ministro do STF, em 2021, Flávio Bolsonaro não atuou publicamente em defesa da indicação de Mendonça. Na ocasião, o senador defendia outros nomes para ocupar a vaga aberta na Corte, entre eles...

Mendonça rejeita pecha de “traidor”, diz que seguirá a lei e não dará tratamento diferenciado a Flávio Bolsonaro

Nos bastidores do Supremo, Mendonça também tem procurado afastar a interpretação de que uma eventual responsabilização de Flávio Bolsonaro poderia representar uma ruptura política com a família Bolsonaro.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça sinalizou a interlocutores que conduzirá o inquérito envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o filme Dark Horse exclusivamente com base nos elementos jurídicos do caso, sem qualquer tratamento diferenciado ao parlamentar. As informações são da Coluna do Estadão, do jornal O Estado de São Paulo.

Nesta quinta-feira (23), Mendonça autorizou a abertura formal de inquérito na Polícia Federal (PF) para investigar Flávio Bolsonaro no âmbito dos desdobramentos das apurações relacionadas ao pedido de financiamento para o filme Dark Horse feito pelo parlamentar ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo chefe, Paulo Gonet, considerou haver elementos suficientes para a instauração da investigação.

Segundo a reportagem, o ministro tem afirmado, em conversas reservadas, que sua atuação será estritamente pautada pela legislação. De acordo com interlocutores ouvidos pela Coluna do Estadão, Mendonça sustenta que, caso a investigação reúna elementos concretos indicando a prática de crime, o procedimento seguirá seu curso legal, independentemente de quem seja o investigado.

Nos bastidores do Supremo, Mendonça também tem procurado afastar a interpretação de que uma eventual responsabilização de Flávio Bolsonaro poderia representar uma ruptura política com a família Bolsonaro.

O histórico da relação entre André Mendonça e Flávio Bolsonaro também é apontado como um fator que reduz expectativas de qualquer gesto de proteção institucional ao senador.

Durante as articulações para a escolha do novo ministro do STF, em 2021, Flávio Bolsonaro não atuou publicamente em defesa da indicação de Mendonça. Na ocasião, o senador defendia outros nomes para ocupar a vaga aberta na Corte, entre eles o então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins.

Durante a sabatina de Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio manteve atuação discreta, limitando-se a conversas reservadas, sem protagonizar manifestações públicas em favor da aprovação do magistrado.

Até o momento, o senador não apresentou prestação de contas sobre os recursos recebidos, o que alimenta suspeitas quanto ao destino da verba, inclusive sobre eventual utilização para outras finalidades, entre elas o financiamento da permanência do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.