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Bernie Sanders, AOC e 29 deputados acusam EUA de interferência no Brasil

"Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial, em outubro de...

Bernie Sanders, AOC e 29 deputados acusam EUA de interferência no Brasil

"As ações mais recentes do governo apontam para um esforço aparente de interferir e, potencialmente, desestabilizar a eleição geral do Brasil em outubro", afirma o documento.

Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos escreveu uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, nesta quinta-feira (24), acusando o governo Trump de interferência nas eleições brasileiras e exigindo respostas.

O documento, assinado nesta quinta-feira (24), foi revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil.

Leia a íntegra da carta ao final da matéria.

Entre os signatários estão o senador independente Bernie Sanders, que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana, a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida por suas iniciais AOC, e outros 29 deputados democratas.

“Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial, em outubro de 2026”, afirma a carta.

Os parlamentares listaram o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e as sanções adotadas contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) como exemplos de uma “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil”.

Eles consideram as ações do governo Trump como uma “violação extraordinária” da soberania brasileira.

Para os democratas, a desescalada alcançada após conversas “diretas e cordiais” entre Trump e Lula foi interrompida com a indicação de Darren Beattie para um cargo na diplomacia americana para supervisionar as relações com o Brasil.

Eles também citam o novo tarifaço aplicado pelos EUA após investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) .

“As ações mais recentes do governo apontam para um esforço aparente de interferir e, potencialmente, desestabilizar a eleição geral do Brasil em outubro”, afirma o documento.

Presidente Trump se reúne com Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca • Donald Trump via Truth Social

Os parlamentares também destacam como o governo Trump determinou a designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras dias após uma reunião do presidente americano com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

“As autoridades do Brasil, que têm proposto repetidamente a ampliação da cooperação EUA-Brasil no combate ao crime organizado transnacional, expressaram preocupações de que essa designação possa ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, incluindo medidas financeiras punitivas, como tarifas ou sanções”, escreveram os deputados e o senador.

Eles citam ainda a escalada da crise diplomática com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.

“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão atuando como um agente de interferência e desestabilização — usando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que correm o risco de enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral do Brasil e causar ainda mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA”, afirma a carta.

“Esse padrão arrisca não apenas minar a integridade dos processos eleitorais em países individuais, mas também corroer progressivamente a confiança dos eleitores nos processos e instituições democráticas em toda a região”, completa.