
Com Omar Aziz e Roberto Cidade a troca de gentileza esbarrou no uso da máquina pública em favor de suas respectivas famílias.
O debate com os candidatos ao governo do Amazonas, promovido terça-feira, 22, pela TV Norte, não foi ornado com nenhum tipo de proposta que um não tivesse ferido os ouvidos exausto do eleitor.
Assim, o debate se resumiu no ataque, nas ofensa, e na devassa da vida deste ou daquele candidato.
– Quero que a senhora explique de onde veio a sua fortuna, indagou o candidato Roberto Cidade, atual governador do estado, a candidato Maria do Carmo, empresária da educação e de outros empreendimentos econômicos.
– Minha fortuna é fruto do trabalho e do bolso dos meus alunos, disse ela.
– A pandemia foi um dos episódios mais dolorosos no estado, com a morte de 14 mil pessoas por falta de cuidado e de oxigênio. Enquanto as pessoas fechavam caixões vocês fechavam contratos. Por que o senhor procedeu dessa forma, quis saber a candidata.
– A senhor não entende de política de leis. Durante a pandemia fiz a minha parte. A senhora não sabe trabalhar. Pensa que a inciativa pública é a mesma coisa que na privada, não é, replicou.
– Responda porque o contrato de sua família triplicou depois desse período. Nós sabemos que esse dinheiro é surrupiado da saúde, educação, da segurança (pandemia), insistiu Maria do Carmo.
– A senhora tem que falar a verdade. A senhora quer chegar ao governo a qualquer preço. Por que a senhora não explica porque foi exonerada do TJAM por corrupção. A senhora não explica a origem da fortuna que a sua família construiu e porque o seu marido foi preso.
E por aí, vai.
Durante duas horas de debate, a candidata Maria do Carmo ainda precisou ruminar indagações muitas vezes difíceis de engolir, como as formuladas por Isael Munduruku (Rede) sobre Zona Franca de Manaus, pandemia, empresa de vacina, e confiança com o eleitorado.
Segundo o candidato, nem mesmo durante a pandemia do covid-9 os alunos de Maria do Carmo foram cobrados mesmo sem a contrapartida da correspondente aula.
Às perguntas nem sempre eram sucedidas de respostas convincentes, claras e objetivas. Foi assim ao responder à atuação beligerante do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, contra a Zona Franca de Manaus (ZFM). “O Flávio é um Bolsonaro Vacinado, respondeu tropegamente.
Mas nem tudo conspirou contra Maria do Carmo. Em um dos raros momentos de inspiração, a candidata deixou se oponente Omar Aziz sufocado com habilidosa movimentação retórica:
“Chega de promessas. Não se constrói barcos novos com tábuas velhas”.
Omar Aziz reagiu e a respostas veio como um raio: “eu não sou da velha e nem da nova política. Eu sou da boa política, aquela que resolve.
Com Omar Aziz e Roberto Cidade a troca de gentileza esbarrou no uso da máquina pública em favor de suas respectivas famílias.
Roberto Cidade insinuou que Omar teria sido aliado de Wilson Lima e que por conta disso sua família foi beneficiada com contratos do governo. “Tenha vergonha e desfaça o contrato. Eu conheço bem a tua família, Roberto”, lembrou Omar.
– Se você quiser discutir questão de família”… iniciou Omar, logo interrompido por Cidade.
– Acho que é bom não entrar, interrompeu Roberto Cidade.
– Eu acho bom, concordou Omar, que concluiu com uma provocação: quanto a sua família recebeu nesses anos?
O debate desta terça-feira, 22, não apresentou proposta e ninguém esperava por isso. Apenas escancarou, o lado obscuro da moeda que já não é tão obscuro nem mesmo para o mais ingênuo eleitor.
Maria do Carmo, Omar, Cidade, David Almeida e Cia. LTDA., não precisavam ter perdido seus preciosos tempo para tornar público que o estado sempre esteve a serviço deles e de suas respectivas famílias.





