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Líder palestino condena Hamas, defende dois Estados e acena a Trump

A Autoridade Palestina foi criada para gerir politicamente os territórios palestinos, mas, desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, após as eleições de 2006, a entidade só exerce poder de fato sobre alguns enclaves na Cisjordânia.

Líder palestino condena Hamas, defende dois Estados e acena a Trump

O presidente palestino defendeu ainda convivência pacífica com o Estado de Israel e criticou a campanha israelense em Gaza ("um crime de guerra e contra a humanidade", disse).

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falou nesta quinta-feira (25) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em que líderes dos 193 países membros da ONU discursam no plenário da assembleia, em Nova York.

Em fala por videoconferência — após ter visto negado pelo governo Donald Trump, anfitrião do evento —, Abbas disse que “não haverá paz” enquanto não houver um Estado da Palestina. Mas também condenou e desafiou o grupo terrorista Hamas e se disse “pronto para trabalhar” com Trump, maior aliado de Israel. O presidente palestino defendeu ainda convivência pacífica com o Estado de Israel e criticou a campanha israelense em Gaza (“um crime de guerra e contra a humanidade”, disse).

A Autoridade Palestina foi criada para gerir politicamente os territórios palestinos, mas, desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, após as eleições de 2006, a entidade só exerce poder de fato sobre alguns enclaves na Cisjordânia.

“Quero deixar uma mensagem clara: não se pode alcançar paz sem Justiça, e a Justiça só será feita quando houver um estado da Palestina”, declarou Abbas no discurso.

Abbas — que governa a Cisjordânia, território palestino militarmente ocupado por Israel — também defendeu a existência do Estado israelense.

“Fizemos todos os nossos esforços para construir as instituições de um estado palestino moderno que viva lado a lado em paz e segurança com Israel”, disse.

Rival político do Hamas, Mahmoud Abbas também criticou o ataque do grupo terrorista a Israel em 7 de outubro de 2023, que iniciou a guerra na Faixa de Gaza.

“Apesar do que o nosso povo sofreu, nós rejeitamos o que o Hamas fez em 7 de outubro (de 2023). Essas ações não representam o povo palestino”, disse.

O presidente da Autoridade Palestina também disse que o Hamas não vai ter participação em um eventual novo governo na Faixa de Gaza após a guerra — atualmente, o braço político do grupo terrorista governa o território desde que venceu as primeiras eleições realizadas em Gaza, em 2007.

“Afirmamos, e continuaremos a afirmar, que a Faixa de Gaza é parte integrante do Estado da Palestina, e que estamos prontos a assumir plena responsabilidade pela governança e segurança lá. O Hamas não terá papel na governança”.

Abbas também pediu que o Hamas entregue as armas.

“O Hamas e outras facções deverão entregar suas armas à Autoridade Nacional Palestina como parte de um processo para construir as instituições de um Estado, uma lei e forças de segurança legal. Reiteramos que não queremos um Estado armado”.

Ele chamou os ataques de Israel em Gaza de “um crime de guerra e contra a humanidade, que está documentado e será registrado em livros de história”. E acusou o governo de Benjamin Netanyahu de “usar a fome como arma de guerra”.

O presidente palestino também agradeceu o apoio de países que, em série, reconheceram a Palestina como um Estado nos últimos dias, como Reino Unido, França, Canadá, Portugal e Malta.

Donald Trump criticou os gestos durante seu discurso na assembleia, na terça-feira (25).

“Agradecemos os 149 países que já reconheceram a Palestina como um Estado. Nosso povo não esquecerá”, declarou.

Apesar da forte aliança entre EUA e Israel, o líder palestino disse também que “estamos prontos para trabalhar com (o presidente dos EUA, Donald Trump), e todos os parceiros para implementar o plano de paz que foi aprovado em 22 de setembro”.

Abbas, no entanto, acusou Israel de não cumprir com os Acordos de Oslo de 1993, que estabelecia um processo de paz por etapas no Oriente Médio até 1999 e a retirada de tropas israelenses da Cisjordânia e de Gaza.

Ele também acusou o governo de Benjamin Netanyahu de usar a fome na Faixa de Gaza como arma de guerra.

O discurso de Abbas ocorreu por videoconferência após ele ter tido o visto de entrada nos Estados Unidos, onde fica a sede da ONU, proibido pelo governo de Trump.

Em desafio à proibição, países membros da ONU votaram na semana passada em maioria uma resolução que aprovava a participação de Abbas de forma virtual — os discursos por videoconferência têm de ser previamente aprovados em votação.

Em 2022, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ainda impossibilitado de sair da Ucrânia por conta da guerra, também discursou por vídeo.

Matéria completa no G1