
Na área internacional, Lula reforçou o interesse em ampliar a cooperação com a Alemanha, especialmente em setores estratégicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas aos gastos globais com guerras e cobrou mudanças nas prioridades internacionais durante discurso na abertura da Hannover Messe 2026, na Alemanha. Ao abordar desigualdade, conflitos e desenvolvimento, Lula afirmou que o mundo precisa direcionar recursos para enfrentar a fome e garantir condições dignas à população.
Lula destacou a contradição entre os investimentos em armamentos e a persistência de problemas básicos. “Não é possível em pleno século XXI, quando nós ainda não resolvemos o problema da fome no mundo, quando nós ainda não resolvemos o problema do analfabetismo no mundo, quando quase 60% de seres humanos ainda não têm energia elétrica, que estejamos gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em guerra”, afirmou.
Lula também abordou a crise migratória e defendeu uma postura mais acolhedora por parte dos países. Ao citar a formação histórica brasileira, destacou o papel da imigração na construção nacional. “Eu não tenho nada contra imigrantes, porque graças a Deus o Brasil é um país que foi criado por imigrantes”, afirmou. Ele lembrou a chegada de portugueses, africanos escravizados, alemães, italianos, espanhóis, japoneses e árabes. “Como é que eu posso ser contra a imigração, se essa gente toda ajudou a construir o Brasil de hoje?”, questionou.
O presidente também destacou a responsabilidade dos governantes diante das transformações globais. “O planeta Terra ainda é morado por seres humanos, homens e mulheres, que precisam trabalhar, morar, estudar, viver dignamente. E somos nós, dirigentes, que temos a obrigação de dar uma resposta”, declarou.
Na área internacional, Lula reforçou o interesse em ampliar a cooperação com a Alemanha, especialmente em setores estratégicos. “O Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema com a Alemanha. Sobretudo inteligência artificial, data center e minerais críticos”, disse. Ele destacou que a relação entre os países deve ser baseada em valores comuns. “A única coisa que nós queremos é a certeza de que a nossa relação será pensando no fortalecimento da democracia, do multilateralismo e no respeito à soberania”, afirmou.
Por fim, Lula criticou atitudes unilaterais na política global e defendeu maior diálogo entre as nações. “Nós não podemos permitir que o mundo circule ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por tweet ele pode taxar produtos, pode punir países e pode fazer guerra”, disse. Ele concluiu ressaltando que o desenvolvimento econômico deve caminhar junto com a paz. “Vocês estão aqui pensando no crescimento tecnológico, mas sobretudo pensando na paz mundial, que é o que interessa para todos nós: viver em paz, trabalhar, ganhar dinheiro e viver a vida decentemente”, afirmou.





