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Nobel da Paz 2025 vai para líder venezuelana María Corina Machado; sonho de Trump chega ao fim

Oriunda de uma das famílias mais ricas da Venezuela, era filha do empresário Enrique Machado Zuloaga, dono da siderúrgica Sivensa, que entrou em conflito com o governo de Hugo Chávez após processos de nacionalização.

Nobel da Paz 2025 vai para líder venezuelana María Corina Machado;  sonho de Trump chega ao fim

María Corina Machado foi uma ex-deputada venezuelana e uma das principais lideranças da extrema-direita do país, conhecida por sua atuação golpista e pela defesa de políticas ultraliberais.

A líder opositora venezuelana María Corina Machado venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2025, anunciado nesta sexta-feira (10) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. Ela é uma das principais vozes contra o presidente Nicolás Maduro.

Com o anúncio, chegou ao fim o sonho do presidente americano, Donald Trump, de conquistar o prêmio. O republicano vinha tratando a premiação como uma meta pessoal e chegou a afirmar em discursos que merecia o Nobel por ter encerrado “seis ou sete” guerras desde que voltou à Casa Branca. Em outra ocasião, disse que não receber o prêmio seria uma “ofensa aos americanos”.

A escolha de Corina Machado representou uma mensagem política mais ampla, interpretada como um recado indireto ao próprio Trump e ao avanço de governos autoritários. “Viver num mundo com menos democracia e mais regimes autoritários significa que o mundo está mais perigoso. Esta é a mensagem: precisamos apoiar as forças democráticas, em nome da paz”, declarou Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê do Nobel, em Oslo.

María Corina Machado foi uma ex-deputada venezuelana e uma das principais lideranças da extrema-direita do país, conhecida por sua atuação golpista e pela defesa de políticas ultraliberais.

Nos anos 1990, criou a organização Súmate, que se apresentava como uma ONG de monitoramento eleitoral, mas teve papel direto nas articulações que levaram ao golpe de Estado de 2002 contra Chávez.

Machado foi uma das signatárias do “Decreto Carmona”, que dissolveu instituições e suspendeu a Constituição durante as 48 horas em que o governo chavista foi deposto.

Em 2005, reforçou sua ligação com os Estados Unidos ao se reunir com o então presidente George W. Bush, gesto que provocou reação do governo venezuelano.

Posteriormente, foi acusada de envolvimento em planos para derrubar Nicolás Maduro e de pedir sanções e até intervenção militar estrangeira contra a Venezuela. Fundadora do partido Vente Venezuela, Machado defendeu a privatização da PDVSA e de outras estatais, e manteve vínculos com figuras da extrema direita internacional, como Eduardo Bolsonaro, Javier Milei e Giorgia Meloni.

A cerimônia de entrega ocorrerá em 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da premiação.

O evento será realizado em Oslo, na Noruega, e contará com a presença do rei norueguês e de autoridades internacionais.

Durante o anúncio, membros do comitê destacaram que o prêmio reconhece “a coragem de líderes civis que arriscam sua segurança pessoal em prol de sociedades livres e justas”.