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Novo presidente do Peru fala em decretar emergência após protestos

Na quarta-feira (15), Lima foi cenário dos confrontos mais graves desde o início das manifestações, mês passado, na capital peruana. Um rapper, Eduardo Ruiz Sáenz, foi morto durante os protestos por um policial infiltrado.

Novo presidente do Peru fala em decretar emergência após protestos

Os protestos são liderados por jovens da geração Z em repúdio ao Congresso e ao governo do presidente interino José Jerí, que tomou posse recentemente, após a destituição de Dina Boluarte.

O governo recém-empossado do Peru vai impor o estado de emergência em Lima por conta das manifestações contra a violência no país, que terminaram com uma pessoa morta e mais de 100 feridas em confronto com a polícia.

Na quarta-feira (15), Lima foi cenário dos confrontos mais graves desde o início das manifestações, mês passado, na capital peruana. Um rapper, Eduardo Ruiz Sáenz, foi morto durante os protestos por um policial infiltrado.

Um outro manifestante ficou em coma após ser atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo.

Os protestos são liderados por jovens da geração Z em repúdio ao Congresso e ao governo do presidente interino José Jerí, que tomou posse recentemente, após a destituição de Dina Boluarte.

A ex-presidente foi removida do cargo após um julgamento político expresso em 10 de outubro, motivado pela crise de violência. Os impeachments têm sido rotina no país nos últimos anos.

Jerí, de 38 anos e até então presidente do Parlamento, assumiu a presidência de forma interina até julho de 2026, quando deverá entregar o cargo após eleições gerais. Ele descartou um pedido de renúncia.

“Vamos anunciar a decisão de declarar emergência pelo menos na Lima Metropolitana”, disse à imprensa o chefe do gabinete Ernesto Álvarez, após uma reunião de ministros no Palácio de Governo.

A medida afetará 10 milhões de pessoas que vivem na capital e na cidade portuária vizinha de Callao.

Sob estado de emergência, o governo pode mobilizar os militares nas ruas para patrulhar e restringir direitos como a liberdade de reunião.

“Não foi descartado o toque de recolher, considerando que a criminalidade não respeita a noite”, afirmou Álvarez.

Com velas, flores e cartazes contra Jerí, dezenas de jovens homenagearam na noite de quinta-feira (16) o rapper Eduardo Ruiz Sáenz, de 32 anos, conhecido como ‘Trvko’.

Ele morreu ao ser atingido por um tiro de um policial que agiu por conta própria e será afastado da força de segurança, anunciou o comandante da corporação, general Óscar Arriola.

O agente apontado autor do disparo foi detido ao lado de outro policial. Os dois foram identificados pelas imagens gravadas nas câmeras de segurança da prefeitura de Lima. O autor foi hospitalizado após ser atacado pelos manifestantes.

Além da morte de Ruiz, a jornada de protestos de quarta-feira deixou 113 feridos, sendo 84 policiais e 29 civis, segundo o balanço oficial.

Na quinta-feira, Jerí pediu ao Congresso “faculdades legislativas” que permitam enfrentar a crise de violência. O presidente disse esperar adotar medidas de urgência sem a necessidade de passar pela aprovação dos parlamentares.

“Queremos solicitar faculdades legislativas para legislar principalmente em temas de segurança cidadã, que é o principal problema”, disse o presidente interino.
“Dentro delas está o tema dos presídios, de onde as gangues praticam extorsão”, disse Jerí, sem detalhar o tipo de intervenção que espera aplicar nas prisões.

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Novo presidente do Peru vai declarar estado de emergência após protestos da geração Z e não descarta toque de recolher
País vive onda de manifestações contra a onda de violência do país e contra o governo. Atual presidente, José Jeri, tomou posse há uma semana, após destituição-relâmpago da então chefe do Executivo, Dina Boluarte, que enfrentava crise política e de popularidade.

O governo recém-empossado do Peru vai impor o estado de emergência em Lima por conta das manifestações contra a violência no país, que terminaram com uma pessoa morta e mais de 100 feridas em confronto com a polícia.

Na quarta-feira (15), Lima foi cenário dos confrontos mais graves desde o início das manifestações, mês passado, na capital peruana. Um rapper, Eduardo Ruiz Sáenz, foi morto durante os protestos por um policial infiltrado (leia mais abaixo).

Um outro manifestante ficou em coma após ser atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo.

Os protestos são liderados por jovens da geração Z em repúdio ao Congresso e ao governo do presidente interino José Jerí, que tomou posse recentemente, após a destituição de Dina Boluarte.

Geração Z é o nome popular dado às pessoas nascidas entre 1995 e 2009, com algo entre 16 e 30 anos.

A ex-presidente foi removida do cargo após um julgamento político expresso em 10 de outubro, motivado pela crise de violência. Os impeachments têm sido rotina no país nos últimos anos.

Jerí, de 38 anos e até então presidente do Parlamento, assumiu a presidência de forma interina até julho de 2026, quando deverá entregar o cargo após eleições gerais. Ele descartou um pedido de renúncia.

“Vamos anunciar a decisão de declarar emergência pelo menos na Lima Metropolitana”, disse à imprensa o chefe do gabinete Ernesto Álvarez, após uma reunião de ministros no Palácio de Governo.
Manifestantes entram em confronto com policiais antidistúrbio durante protesto contra o presidente interino do Peru, José Jerí, em Lima, em 15 de outubro de 2025 — Foto: CONNIE FRANCE / AFP
Manifestantes entram em confronto com policiais antidistúrbio durante protesto contra o presidente interino do Peru, José Jerí, em Lima, em 15 de outubro de 2025 — Foto: CONNIE FRANCE / AFP

A medida afetará 10 milhões de pessoas que vivem na capital e na cidade portuária vizinha de Callao.

Sob estado de emergência, o governo pode mobilizar os militares nas ruas para patrulhar e restringir direitos como a liberdade de reunião.

“Não foi descartado o toque de recolher, considerando que a criminalidade não respeita a noite”, afirmou Álvarez.

Com velas, flores e cartazes contra Jerí, dezenas de jovens homenagearam na noite de quinta-feira (16) o rapper Eduardo Ruiz Sáenz, de 32 anos, conhecido como ‘Trvko’.

Ele morreu ao ser atingido por um tiro de um policial que agiu por conta própria e será afastado da força de segurança, anunciou o comandante da corporação, general Óscar Arriola.

O agente apontado autor do disparo foi detido ao lado de outro policial. Os dois foram identificados pelas imagens gravadas nas câmeras de segurança da prefeitura de Lima. O autor foi hospitalizado após ser atacado pelos manifestantes.

Além da morte de Ruiz, a jornada de protestos de quarta-feira deixou 113 feridos, sendo 84 policiais e 29 civis, segundo o balanço oficial.

Na quinta-feira, Jerí pediu ao Congresso “faculdades legislativas” que permitam enfrentar a crise de violência. O presidente disse esperar adotar medidas de urgência sem a necessidade de passar pela aprovação dos parlamentares.

“Queremos solicitar faculdades legislativas para legislar principalmente em temas de segurança cidadã, que é o principal problema”, disse o presidente interino.
“Dentro delas está o tema dos presídios, de onde as gangues praticam extorsão”, disse Jerí, sem detalhar o tipo de intervenção que espera aplicar nas prisões.

O descontentamento da população também aponta para a impopular classe política. O Peru passou por sete governos na última década, incluindo o que substituiu Boluarte.

“Não vou renunciar, vou continuar com a responsabilidade”, respondeu Jerí à imprensa ao ser questionado sobre sua permanência no cargo.

O chefe de Estado lamentou novamente a morte do manifestante em Lima, mas insistiu que o protesto foi infiltrado por um pequeno grupo que tentou impor “o caos”.

Quase 200 pessoas ficaram feridas durante os protestos em Lima no último mês, incluindo policiais, manifestantes e jornalistas.

No âmbito dos protestos, a geração Z exibe a bandeira da série de mangá ‘One Piece’, o novo símbolo de protesto dos jovens contra governos considerados ruins ao redor do mundo.

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