×

Diretor da Quaest diz que tarifaço de Trump empurra eleitor de centro para colo de Lula

Para Nunes, foi o embate com Donald Trump que melhorou a avaliação de Lula. A percepção sobre a economia e a campanha do governo em prol da taxação dos super-ricos tiveram efeitos menores.

Diretor da Quaest diz que tarifaço de Trump empurra eleitor de centro para colo de Lula

"Não foi nem entre os mais pobres, nem entre os mais ricos que captamos mudanças na aprovação; foi nos setores de renda média: a diferença que era de -19 pp passou para -9 pp de maio pra cá."

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (16) mostra que o confronto com o presidente Donald Trump ajudou o governo Lula a recuperar a popularidade, segundo Felipe Nunes, diretor do instituto

“O tarifaço contra o Brasil conseguiu unir a esquerda, os lulistas e os moderados (sem posicionamento); mas dividiu a direita e os bolsonaristas. Ou seja, empurrou o ‘centro’ para o colo do Lula”, afirma Nunes.

Os dados mostram que a aprovação de Lula (PT), que vinha em queda desde janeiro, e reprovação, que vinha em alta desde outubro, mudaram de direção:

  • 43% aprovam a Lula, uma oscilação positiva de três pontos percentuais em relação a junho.
  • 53% desaprovam Lula, uma oscilação para baixo de quatro pontos, no limite da margem de erro.

O diretor da Quaest destaca que a avaliação de Lula melhorou em três segmentos que estão fora da base tradicional de apoio do governo Lula:

  • No Sudeste, a desaprovação caiu oito pontos, para 56% e aprovação subiu oito pontos, para 40% (a margem de erro é de três pontos nesse segmento).
  • Entre quem tem ensino superior, houve queda de 11 pontos na desaprovação, para 53%, e alta de 12 na aprovação, para 45% (margem de quatro pontos).
  • Entre quem ganha de dois e cinco salários mínimos (R$ 3 mil e R$ 7.590) por mês, houve oscilação positiva de quatro pontos na aprovação, para 52%, e negativa de quatro pontos na desaprovação, para 43% (margem de três pontos)

“Não foi nem entre os mais pobres, nem entre os mais ricos que captamos mudanças na aprovação; foi nos setores de renda média: a diferença que era de -19 pp passou para -9 pp de maio pra cá.”

Em relação às preferências políticas, Nunes aponta que a melhoria na avaliação de Lula aconteceu entre os eleitores que dizem que não têm posicionamento: a desaprovação, que vinha em alta, oscilou sete pontos para baixo, dentro da margem de erro, índice semelhante ao de janeiro. A aprovação, que vinha em queda, oscilou cinco pontos para cima, chegando a 38% (margem 4).

“Entre eleitores lulistas ou de esquerda, a aprovação continua alta (> 80%). Entre eleitores bolsonaristas ou de direita, a aprovação continua baixa (< 12%)”, diz Nunes.

Para Nunes, foi o embate com Donald Trump que melhorou a avaliação de Lula. A percepção sobre a economia e a campanha do governo em prol da taxação dos super-ricos tiveram efeitos menores.

O levantamento mostrou que 77% dos eleitores que dizem não ter posicionamento político acreditam que Trump está errado em impor taxas ao Brasil por acreditar que Bolsonaro está sendo perseguido. O percentual é menor, mas ainda alto, entre os que se dizem de direita (52%) e mesmo entre os bolsonaristas (48%).

A pesquisa indicou, também, que a maior parte dos brasileiros defende que Lula está se saindo melhor que Bolsonaro (44% a 29%).

“Lula e o PT venceram a batalha da opinião pública contra Bolsonaro e seus aliados, pelo menos até aqui.”

Já a percepção da situação econômica mudou pouco em relação a junho: a parcela dos que acham que piorou oscilou dois pontos para baixo, para 48%; e a dos que acham que melhorou, três pontos para cima, e chegou a 21%.

“A economia parece ter um papel coadjuvante na melhora da popularidade do governo. Embora a economia continue ‘despiorando’, já que menos gente acredita que o cenário piorou, a variação entre maio e julho é pequena demais para produzir algum efeito significativo.”

Já a campanha do governo Lula para defender a tributação dos mais ricos – medida apoiada por 60% da população – teve pouco efeito, segundo Nunes, pois

menos da metade (43%) dos brasileiros ficou sabendo dela e 17% viram os vídeos feitos com inteligência artificial feitos pelo governo;
E a maioria (79%) acredita que o conflito com o Congresso é prejudicial Brasil. “As a forma como [a campanha do governo] foi conduzida parece ter produzido uma opinião mais negativa que positiva nas pessoas”, afirma Nunes.q